Os três helicópteros Kamov que estão a combater os fogos esta época foram alugados pelo Estado português à Heliportugal por adjudicação directa, pelo valor de 3,650 milhões euros. Este valor significa que o Estado paga cerca de 12 mil euros por cada hora de voo, quando o contrato anterior, com a Everjets, denunciado em maio deste ano, previa um custo de quase metade, cerca de cinco mil euros por hora de voo.

A Heliportugal subcontratou os aparelhos à Artic Group, empresa sediada no Canadá, que assegurava a manutenção dos Kamov para a Heliportugal, quando esta empresa ganhou o primeiro concurso, em 2007, para fornecimento dos aparelhos e respetiva operação e manutenção. Este contrato entre a Heliportugal e o Estado foi denunciado pelo Estado em 2014, alegando incumprimento da Heliportugal. Foi enviado para a investigação para a Procuradoria-geral da República e o Tribunal de Contas pronunciou-se, considerando que o interesse público não foi acautelado e foram denunciadas mais de 200 irregularidades.

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A TVI teve acesso a fotografias que comprovam o fraco estado de manutenção das aeronaves, desde falhas em materiais estruturais a reparações feitas com paus e arames.

A Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) não revela os relatórios operacionais que atesta a aeronavegabilidade dos Kamov, nomeadamente de um que está estacioando em Ferreira do Zêzere e em 2009 teve um acidente na Turquia matando duas pessoas. Porém, a TVI sabe que a licença para voar em espaço nacional foi atribuída pela ANAC foi emitida em três dias. A ANAC garante que cumpriu a lei, mas não explica que diligências efetou para atestar a operacionalidade das três aeronaves em apenas três dias. 

Em abril, António Costa garantiu que o Estado não ficaria refém das empresas do cartel do fogo, já denúnciado anteiormente pela TVI, porém, o primeiro-ministro voltou agora a contratar uma dessas empresas.