O investigador Arlindo Donário advertiu esta quarta-feira que o aumento dos impostos sobre os veículos, principalmente os de alta cilindrada, «tem efeitos» no número de mortos e feridos graves em acidentes de viação.

O aumento dos impostos sobre os carros de alta cilindrada leva as pessoas a optar por um veículo de «menor cilindrada e de menor massa», que são menos resistentes em caso de embate, explicou o professor da Universidade Autónoma de Lisboa (UAL) no congresso «Prevenir e Reparar - Crescer e Envelhecer na Estrada».

«Quem conduz carros de menor cilindrada e de menor massa têm uma probabilidade muito maior de morrer ou ficar ferido do que um indivíduo que conduz um carro de alta cilindrada», sustentou o investigador do Centro de Análise Económica de Regulação Social (CAERS) da UAL.

Arlindo Donário falou também no congresso sobre os impactos da crise na sinistralidade rodoviária.

Citou um estudo realizado pelo CAERS, que abrangeu um período de 20 anos, terminou em 2011 e conclui que «a crise tem efeitos na redução dos mortos e dos feridos graves» em acidentes.

«Grande parte da população viu diminuir o seu rendimento disponível e o seu status quo alterou-se. Muitas coisas que anteriormente as pessoas viam como ganhos passaram a vê-las como perdas», que são sentidas cerca de 2,5 a três vezes mais do que os correspondentes ganhos, explicou o investigador.

Esta nova situação leva a algumas mudanças, que se refletem na utilização do veículo e no modo de condução.

«Com a baixa do rendimento disponível, as pessoas têm menos exposição ao risco, porque conduzem menos e isso leva a diminuir os acidentes», exemplificou.

Também quando se tem menos dinheiro, «cada euro tem um valor maior» e as pessoas têm tendência a conduzir mais devagar para poupar gasolina.

Falando dos custos da sinistralidade rodoviária, Arlindo Donário disse que os acidentes de viação tiveram, entre 1996 e 2010, um custo económico e social anual médio que rondou os 2.500 milhões de euros.

Citando o estudo «O custo económico e social dos acidentes de viação em Portugal», do qual foi coautor, o investigador disse que esses custos reduziram para 1.800 milhões de euros, em 2010, representando 1,7% do PIB português.

O custo por vítima mortal foi de cerca de 60 mil euros, por ferido grave de 98 mil euros e por ferido ligeiro foi de 22 mil euros, afirmou o investigador na conferência, promovida pela Liberty Seguros em parceria com o Instituto de Medicina Legal e Ciências Forenses e a Associação Portuguesa de Avaliação do Dano Corporal.

Segundo o estudo, o valor total dos acidentes rodoviários entre 1996 e 2010 foi de cerca de 37.549 milhões de euros, o que representa cerca de 1,64% da produção em Portugal ao longo deste período.