O Ministério Público está a investigar um alegado esquema com origem em Cabo Verde, de emissão fraudulenta de vistos de entrada em Portugal, permitindo o tráfico de pessoas para a União Europeia.

Segundo o jornal cabo-verdiano Nação, o Centro Comum de Vistos de Cabo Verde (CCV) - cuja gestão cabe ao encarregado da secção consular da embaixada portuguesa - e a Embaixada de Portugal, na Cidade da Praia, foram alvo de buscas por causa da suposta rede de tráfico de pessoas, uma vez que as autoridades acreditam que Portugal pode estar a servir de porta de entrada ilegal para outros estados da União Europeia.

Neste momento há uma rede que é controlada por pessoas que trabalham dentro do Centro Comum de Vistos, por isso é que há muitas recusas de vistos, mesmo para pessoas com todos os documentos em dia. Mas quem dá a cara são pessoas de fora, são elas que angariam os clientes”, revela uma emigrante citada pelo mesmo jornal, acrescentando: "Desesperado, há quem não se importe de pagar centenas de contos para tirar um familiar de Cabo Verde. Na maioria são pessoas do interior da ilha de Santiago”.

De acordo com a mesma fonte, há quem aceite pagar até 2500 euros para conseguir o visto para entrar em Portugal e depois chegar a outros países da Europa.

À agência Lusa, fonte da Procuradoria-Geral da República confirmou a realização, em julho, de uma diligência de busca e apreensão no Centro Comum de Vistos de Cabo Verde, no âmbito de um processo dirigido pelo Ministério Público e em investigação no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

Na diligência, que decorreu com conhecimento das autoridades judiciárias de Cabo Verde, participaram um juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal, um magistrado do Ministério Público do DCIAP e três inspetores da Polícia Judiciária.

De acordo com a mesma fonte, foram realizadas ainda buscas domiciliárias na mesma altura, “em cumprimento de uma carta rogatória e ao abrigo da cooperação judiciária internacional”.

Segundo a PGR, o inquérito “não tem arguidos constituídos” e encontra-se “em segredo de justiça”.