A campanha de apoio aos refugiados no Líbano angariou cerca de 206 mil euros e devido ao sucesso da iniciativa irá prolongar-se até 31 de março, anunciou o presidente da Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR), nesta segunda-feira.

A PAR entregou hoje, numa cerimónia em Lisboa, ao presidente da Cáritas Líbano, Paul Karam, e ao diretor do Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS), André Jorge, os donativos dos portugueses para apoiar o trabalho destas duas organizações no terreno.

Até ao momento, foram reunidos 206.508,88 euros, o que é uma “ótima notícia”, afirmou o coordenador da PAR, Rui Marques, adiantando que foi ultrapassado o objetivo estabelecido de 200 mil euros.

“Isto quer dizer que mesmo com todas as dificuldades que os portugueses sentem não recusam a generosidade, não deixam de estar presentes através dos seus contributos”, disse Rui Marques.

Em declarações à agência Lusa, o padre Paulo Karam agradeceu a generosidade dos portugueses, das organizações e destacou a importância da colaboração da Cáritas libanesa com a Cáritas portuguesa.

“Com esta colaboração podemos fazer com que as pessoas sintam que somos solidárias com elas e que as tentamos ajudar, não apenas os refugiados que vêm da Síria e do Iraque”, mas também os libaneses que tem suportado as consequências do elevado número de refugiados acolhidos neste “pequeno país”, indicou Paulo Karam.

Na cerimónia, Paul Karam classificou a situação no Líbano como “uma grande e problemática crise”, porque o país, devido à sua situação de fronteiras abertas, aceitou um número massivo de refugiados vindos, inicialmente, da Síria.

Segundo o presidente da Cáritas do Líbano, os refugiados já ultrapassam os 1,5 milhões, o que “traz vários problemas, começando pela segurança”, mas também a nível económico e social, estando a ser cada vez mais elevada a tensão entre a população libanesa e os refugiados.

Para o responsável, “a fraqueza do Governo” e a falta de visão a longo prazo para lidar com esta crise tornou a situação cada vez mais difícil no país.

“Imaginem, por exemplo, em Portugal, onde são quase 10 milhões [de habitantes], num período de dois ou três anos, receberem cinco milhões de refugiados, como seria a sociedade e a vida em sociedade”, elucidou.

Os 100 mil euros doados à Cáritas Líbano destinam-se a assegurar a alimentação, produtos de higiene, cuidados de saúde e proteção para o frio rigoroso do inverno aos refugiados que estão em zonas mais vulneráveis.

Já os fundos doados ao Serviço Jesuíta aos Refugiados Líbano destinam-se a apoiar 1.720 crianças refugiadas sírias de cinco escolas da região do Vale do Bekaa, no leste do Líbano, apontou André Jorge.

“Queríamos manifestar a nossa alegria e satisfação por termos conseguido alcançar os objetivos. Evidentemente que gostaríamos que pudéssemos aumentar esta iniciativa e ajudar o maior número de pessoas durante o maior tempo possível as crianças”, perspetivou o diretor do JRS.

Presente na entrega dos donativos, o ex-alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados, António Guterres, disse que a cerimónia teve “o sentido de uma homenagem à sociedade civil”.

A sociedade civil, através destas organizações, tem tido “um papel absolutamente decisivo” na proteção, na assistência e na “procura de soluções para aqueles que são hoje os mais vulneráveis de todos no mundo, os refugiados vítimas de conflito e de perseguição em algumas das mais trágicas situações de que me recordo”, sublinhou António Guterres.

Portugal vai receber, ao abrigo do Programa de Relocalização de Refugiados na União Europeia, cerca de 4.500 pessoas nos próximos dois anos, dos quais 24 já estão em Portugal.