A Direção-Geral da Saúde (DGS) recomenda que as crianças com menos de sete anos que frequentem o jardim-de-infância passem ser submetidas semestralmente a tratamentos com verniz de flúor, substância que serve para evitar cáries.

De acordo com a orientação publicada no site da DGS, atendendo aos «benefícios comprovados do flúor tópico na prevenção da cárie» e à sua facilidade de aplicação, as crianças que andam no jardim-de-infância devem passar a receber verniz de flúor, no âmbito do Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral.

A autoridade de saúde avisa ainda os profissionais que devem obter a autorização expressa dos pais para a aplicação do verniz de flúor, enviando aos encarregados de educação um folheto informativo sobre o assunto.

Segundo a informação da DGS, o verniz de flúor diminui o desenvolvimento da cárie dentária e torna o esmalte mais resistente ao ataque ácido.

Contudo, a sua aplicação pode provocar uma alteração da rotina da criança no dia da aplicação, como é o caso da recomendação para não comer uma hora após a administração, evitar alimentos e não escovar mais os dentes durante esse dia.

Num comentário a esta recomendação, a Ordem dos Médicos Dentistas considerou que mais importante que a aplicação de verniz de flúor é insistir na escovagem dos dentes duas vezes por dia, com uma pasta com flúor.

«Na aplicação de verniz de flúor é importante antes avaliar o risco de a criança ter ou não cáries. Não digo que a aplicação de verniz generalizada seja um erro, mas devia ser uma medida complementar, não a primordial», declarou à agência Lusa o bastonário dos Dentistas, Orlando Monteiro da Silva.

O responsável questionou ainda se o sistema terá capacidade para que as crianças do jardim-de-infância com problemas dentários sejam referenciadas e tratadas.

Aliás, a emissão de cheques-dentista para crianças menores de sete anos encontra-se suspensa porque foi atingido o plafond de cheques emitidos este ano, segundo o bastonário.

Os cheques-dentista são atribuídos a todas as crianças e jovens das escolas públicas com sete, 10, 13 e 16 anos, mas os meninos menores de sete anos podem aceder a estas cheques caso sejam referenciados pelo médico de família.

Mas este ano o plafond de cerca de 20 mil cheques já tinha sido esgotado em setembro, o que levou à suspensão temporária da emissão de cheques para as crianças mais novas, em idade pré-escolar.