A capela-mor inacabada da Igreja de São Domingos, em Coimbra, era, até agora, um monumento nacional, mas o espaço está ocupado por lojas de um centro comercial e, por isso a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) decidiu desclassificá-lo dessa categoria.

A diretora da Direção Regional da Cultura do Centro (DRCC), Celeste Amaro, informou esta segunda-feira que o processo de desclassificação do monumento, que começou em junho de 2014, está agora terminado. «Face a todas as obras [de que a Igreja foi alvo ao longo dos anos] e por funcionar um centro comercial dentro do monumento», entendeu-se «que valia a pena desclassificá-lo». A Igreja de São Domingos «não cumpria a sua função» de monumento Nacional, argumentou, em declarações à Lusa.

Em Diário da República, a DGPC publicou esta segunda-feira um anúncio, propondo a desclassificação do monumento ao secretário de Estado da Cultura, com fundamento num parecer da Secção do Património Arquitetónico e Arqueológico do Conselho Nacional de Cultura.

Quanto ao facto de a Igreja de São Domingos estar inserida em zona de Património Mundial da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), Celeste Amaro sublinhou que, «quando se classificou a zona tampão, teve-se em linha de conta algo que já estava nessa zona tampão».

Por estar dentro da zona tampão da classificação de Património Mundial, «ninguém poderá fazer obras» naquele monumento «sem aprovação da DRCC e da DGPC», frisou.

No edifício privado que no passado acolheu um templo católico, na rua da Sofia, funciona um centro comercial desde os anos 1980, depois de o imóvel classificado - identificado como «Igreja de São Domingos (capella -mor) inacabada» - ter albergado uma garagem e oficina de automóveis.

«Já não existia nada do objeto classificado», explicou uma fonte da DRCC, aquando do início do processo de desclassificação, indicando que a Capela do Tesoureiro, que integrava igualmente a Igreja de São Domingos, na Baixa de Coimbra, foi também desclassificada em 1971.

Parte desta capela foi preservada pelos proprietários do centro comercial, enquanto a outra parte pode ser apreciada no Museu Machado de Castro, acrescentou.