Atualizado às 14:20

Mais de uma centena de surfistas manifestaram-se na manhã deste sábado contra a construção do terminal de contentores na Trafaria. Um projeto que dizem que vai destruir as praias da Costa de Caparica e travar o desenvolvimento do conselho.

Para além do terminal de contentores o projeto prevê a contrução de uma ligação ferroviária a atravessar a arriba fóssil da Caparica, classificada como área protegida.

A luta que vem de longe conta com a oposição de surfistas, banhistas e também dos autarcas do município de Almada, como frisou a presidente Maria Emília Sousa.

O impacto negativo vem confirmado num estudo encomendado pelo porto de Lisboa a que o «Jornal de Negócios» teve acesso. O documento conclui que o investimento só será competitivo com recurso aos transportes rodoviários e ao não serem criadas as acessibilidades o projeto perde competitividade em relação aos portos alternativos.

Ministos devem explicações

A presidente da Câmara de Almada desafiou os ministros do Ambiente e da Economia a dizerem o que pensam sobre o projeto de construção de um terminal de Contentores da Trafaria.

«Eu gostava de saber o que o ministro do Ambiente, Moreira da Silva, tem para nos dizer. Queremos saber se corrobora, se está de acordo com este crime ambiental de lesa-pátria», disse Maria Emília de Sousa durante o protesto.

«Também quero saber o que pensa o ministro da Economia, Pires de Lima, relativamente a esta questão», acrescentou Maria Emília de Sousa, assegurando que o primeiro-ministro nunca esclareceu se se tratava de um projeto dos anteriores ministros da Economia e do Mar ou de um projeto assumido pelo Governo.

A presidente da Câmara de Almada, que falava aos jornalistas durante uma ação de protesto promovida pela «Associação Contentores na Trafaria Não», afirmou que a construção daquela infraestrutura portuária, «além de destruir o plano de água, destrói também o plano de terra, toda a história, o futuro daquela gente»

Maria Emília de Sousa criticou também a construção de uma ferrovia de mercadorias que vai servir a nova infraestrutura portuária e que atravessa a arriba fóssil para fazer a ligação à plataforma logística do Poceirão: «Isto é anacrónico, isto não faz sentido. Isto só pode ter uma justificação. Há aqui um grande negócio», disse a autarca de Almada.