Centenas de pessoas concentraram-se este domingo à porta da igreja paroquial de Canelas, concelho de Gaia, em protesto contra a saída do padre que até ao último domingo presidia a esta paróquia, exigindo da Diocese do Porto uma explicação.

«Queremos o padre Roberto» e o «Bispo é que é o culpado» foram as primeiras frases ouvidas no Largo Padre Gabriel, que serve de adro à igreja de Canelas, onde só meia hora depois da hora prevista (11:00) começou a missa celebrada pelo novo pároco Albino Reis da paróquia vizinha de Vilar de Andorinho.

O novo padre, que não quis prestar declarações aos jornalistas, justificava o atraso da celebração pelo facto de responsável da Diocese do Porto, que teria de lhe dar posse, não estar a conseguir aproximar-se da igreja, impedido pela multidão concentrada no adro.

Com o início da missa, que reuniu menos de uma centena de pessoas a assistir, o protesto fora da igreja endureceu e foram ouvidos gritos, assobios e frases como «O Bispo que vá para Aveiro».

Um primeiro contingente de cerca de duas dezenas de agentes da GNR esteve no local, tendo sido chamado para moderar os ânimos exaltados após algumas escaramuças e para quebrar um cadeado colocado no portão que dava acesso à igreja que impedia a passagem dos fiéis que queriam assistir à missa do novo padre.

Ao longo da eucaristia, alguns paroquianos de Canelas, envergando vestes pretas em sinal de «luto», entraram para anunciar aos de fora «a igreja está vazia», analisando assim o protesto como conseguido.

No final da celebração, cerca das 12:50, o espaço que dava acesso à sacristia, onde o novo padre estaria, foi invadido pelos protestantes, obrigando à saída do pároco de Vila de Andorinho que seguiu num carro da GNR, sob escolta policial.

A decisão de afastar o padre Roberto de Sousa da paróquia de Canelas foi tomada em finais de julho pela Diocese do Porto, tendo chagado a haver um recuo a meio de setembro, mas a determinação ficou concretizada no último domingo quando o pároco em causa anunciou na missa dominical que estava a presidir à sua última eucaristia naquele local.

A população diz nunca ter sido informada das reais razões desta decisão, atribuindo-a a «inveja» por parte de párocos vizinhos pelo facto do padre Roberto, segundo asseguram, ter conseguido «mobilizar muitos fiéis novos».

Miguel Rangel, do movimento «Uma Comunidade Reage!», garantiu à Lusa que a população vai deixar de frequentar as eucaristias, «seja com este padre novo, seja com outro até que a Diocese se digne a dar uma explicação».

O responsável avançou que grupos ligados à paróquia, como de catequistas, leitores, acólitos e ministros de comunhão, se «demitiram» de funções e que os funcionários do Centro Paroquial, no qual funciona um ATL, «temem represálias por estarem ao lado do padre Roberto».

Durante a homilia de hoje, ainda que sem nunca se referir ao protesto fora da igreja, Albino Reis fez uma ponte entre uma Leitura de S. Paulo para concluir que «Cristo é o verdadeiro alicerce»: «O culto, o espaço, a pessoa daquele que dirige, a forma, nada são. O que conta é Jesus. Só a ele devemos dedicar a nossa fé».

Fonte da GNR avançou à Lusa que foram pedidos reforços de Arcozelo e dos Carvalhos, bem como do Destacamento de Intervenção do Porto, mas não especificou o número total de agentes que ao longo da manhã foram chamados ao local.