Cândida Almeida foi ouvida esta quinta-feira no âmbito do processo Operação Fizz e o depoimento vai continuar na próxima semana. Em tribunal, a ex-diretora do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), elogiou o trabalho de Orlando Figueira, mas disse que não tinha conhecimento da destruição dos documentos com rendimentos de Manuel Vicente e que esta era ilegal. Cândidal Almeida insinua ainda que o procurador pode ter falsificado a assinatura de uma colega.

"Eu achei estranhíssimo. Eu nao vi, nem li (despacho em que Orlando Figueira decidiu destruir documentos com rendimentos de Manuel Vicente). Se tivesses visto, dizia logo para suspender decisão. A destruicao de documentos com rendimentos de Manuel Vicente é ilegal. A prática noutros processos era, para reserva da vida privada, ficarem lacrados em envelope guardados em cofre ou na contracapa do processo. Se fosse preciso consultar tirava-se o lacrado. Destruir é que nao. Isso é ilegal e nunca visto. A minha estupefacão quando vi isto"

A ex-diretora do DCIAP diz que concordou com o arquivamento do processo contra Manuel Vicente porque ele enviou declaracão de rendimentos que provavam rendimentos suficientes para comprar "dois ou três" apartamentos, por ano, no Estoril Sol, sublinhando que não lhe foi mostrado o outro despacho em que Orlando Figueira decide destruir os comprovativos de rendimento.

No seu testemunho, Cândida Almeida expplica que perguntou à procuradora que assinou despacho com Orlando Figueira, Teresa Sanchez, e que esta, apesar de ter a assinatura, lhe disse que tambem não lhe tinha sido mostrado esse despacho, nem se lembrava, deixando, assim, em aberto, a possibilidade de Orlando Figueira ter falsificado o despacho.

Cândida Almeida diz que à época tinha ideia de Orlando Figueira como um bom magistrado que cumpria as datas e que tinha bastante consideracão pelo trabalho dele. Diz ainda que Orlando Figueira tinha orgulho em trabalhar no DCIAP e que gostava de ver as suas acusacoes confirmadas em julgamento.

A procuradora explicou ainda que em finais de 2011, Orlando Figueira disse que se ia embora do DCIAP porque nao podia suportar as despesas.  Cândida Almeida diz que lhe pediu então para acelerar processos que tinha em mãos e arquivar o que disse para arquivar. Acrescenta que à época nao sabia quem era Manuel Vicente, nem tão pouco que estava na calha para ser vice-presidente de Angola.

A ex-diretora do Departamento Central de Investigação e Ação Penal contradiz assim Orlando Figueira. O arguido que garante que explicou a Cândida Almeida que era preciso acelerar processos de Manuel Vicente porque deveria ser em breve vice de Angola.