Cândida Almeida, magistrada atualmente ao serviço do Supremo Tribunal de Justiça e o rosto do DCIAP durante mais de uma década, diz que o processo BPN é «um mundo», que consome muitas horas de trabalho aos magistrados que o investigam, muitas vezes às custas da vida privada dos mesmos.

«Aquilo mexe-se na terra e sai minhoca por todo o sítio. (¿) Só com o reforço de meios e o apoio institucional é que se pode fazer alguma coisa, porque mexe-se numa coisa e sai¿», diz a magistrada, numa grande entrevista ao «Diário Económico».

Mas o BPN é apenas um dos processos mais visíveis investigados pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal: «Há muitos processos com muitos milhões envolvidos e que também não têm, digamos, rosto, mas que são fraudes fiscais em carrossel».

Na mesma entrevista, a magistrada admite pressões e diz que «há sempre alguém que protege e vem em defesa de quem está a ser investigado e acusado». «Quando abrimos um processo, temos que ter consciência das múltiplas saídas de direito e das múltiplas ¿pressões¿ que nos são colocadas», acrescenta.

Cândida Almeida ressalva que nunca se sentiu perseguida internamente, mas admite que se sentiu «injustiçada» e «magoada» quando foi acusada de violar o segredo de justiça. «Se há alguém que o defende, (¿) sou eu», garante.

Sobre a sua relação com Pinto Monteiro, Cândida Almeida admite que a amizade que os unia desde o tempo em que trabalharam em Grândola saiu beliscada e diz taxativamente que o anterior Procurador-Geral da República não lhe deu todo o apoio em determinadas circunstâncias.