Um ex-secretário de Estado e ex-deputado do PSD, que foi operado a um cancro que não tinha, vai receber cerca de 102 mil euros de indemnização, escreve o Jornal de Notícias, nesta sexta-feira.

O Supremo Tribunal de Justiça condenou a médica por erro de diagnóstico, já que, perante a «acumulação de dúvidas possíveis acerca da natureza da patologia», não recorreu a outros exames auxiliares ou complementares possíveis, «nem pediu a opinião adicional de outros colegas».

O antigo governante, atualmente administrador de uma multinacional, realizou um exame de rotina da próstata em 2010 e, recomendado pelo urologista, submeteu-se a uma biópsia.

A amostra biológica foi entregue a uma médica, de Lisboa, com especialidade em anatomia-patológica, que efetuou dois exames. Nenhum foi completamente conclusivo, segundo ficou provado em tribunal, após três anos de um processo que culminou recentemente no Supremo.

Mas a médica diagnosticou «adenocarcinoma», ou seja, cancro da próstata.

Com este resultado nos exames, o ex-secretário de Estado consultou outro médico que o aconselhou a submeter-se a cirurgia de remoção integral da próstata.

Contudo, após a operação, foi realizada análise integral à próstata do paciente que desmentiu o diagnóstico de cancro, indicando apenas «hiperplasia nodular benigna».