A Câmara de Caminha iniciou esta terça-feira as operações de limpeza na marginal de Moledo, mas só nos próximos dias definirá a intervenção de reconstrução do paredão, cujo muro foi derrubado pelo mar em mais de 50 metros.

De acordo com o presidente da autarquia, Miguel Alves, o que resta do paredão de proteção da marginal «aguentou bem» durante a última madrugada e só a partir de quarta-feira, em função das condições do mar, é que será definida uma intervenção no local.

Uma vaga com vários metros atingiu o paredão de Moledo cerca das 15:30 de segunda-feira, derrubando o muro de proteção, com várias pedras de mais de 200 quilos a serem literalmente arrancadas, obrigando populares que ali se encontravam a fugirem do local.

A zona encontra-se vedada à circulação automóvel e pedonal, decorrendo hoje operações de limpeza, face à areia e detritos que foram arrastados do mar nas últimas horas.

O autarca de Caminha diz que o concelho está a viver uma situação «inacreditável» de contínuo avanço do mar, depois de a agitação marítima ter também colocando ainda em risco um bar de praia em Moledo.

«Estamos a viver uma situação inacreditável de meses muito difíceis para todos. Estamos todos boquiabertos com o que se está a passar», afirmou à Lusa Miguel Alves.

No caso do paredão de Moledo, com cerca de 60 anos, foi a segunda vez no espaço de um mês que o mar derrubou aquele muro de proteção, chegando mesmo ao parque de estacionamento e próximo dos bares ali existentes.

«Nunca se viu uma coisa destas, estamos todos muito emocionados com esta situação», desabafou o autarca de Caminha.

Na mesma zona, o avanço do mar continua a ameaçar um bar de praia, que voltou a ser fustigado durante a madrugada, encontrando-se, segundo o presidente da Câmara, em «risco de ruína».

No entanto, explicou Miguel Alves, o concessionário do espaço vai começar hoje a «escorar» o bar «com estacas», tendo a Câmara disponibilizado apoio a este processo, se necessário.

Ainda em Caminha, a duna dos Caldeirões, na freguesia de Vila Praia de Âncora - parcialmente destruída pelo mar em fevereiro -, voltou a sofrer com as marés das últimas horas. A abertura na duna já chega a cerca de 200 metros de cordão, reforçando a nova foz que o rio Âncora ali encontrou.