O presidente da Câmara do Porto disse que o município terminou 2013 com «resultados positivos» e reforçou o seu «equilíbrio financeiro», mas para o PS o que Rui Rio fez «foi sempre uma gestão de tipo amanuense».

Rui Moreira falava na Assembleia Municipal, no ponto em que foram apreciados e votados os «documentos de prestação de contas do município relativas» ao ano passado.

O autarca considerou, citado pela Lusa, que tais documentos evidenciam «a prática das boas contas, das contas à moda do Porto», que o seu antecessor, Rui Rio, apresentou sempre como uma das suas bandeiras.

Rui Moreira disse, nas eleições autárquicas, que essa linha era para manter, foi eleito presidente e depois aliou-se ao PS para governar a Câmara, sendo que os socialistas, embora elogiem a preocupação com as «contas certas», reprovam a gestão do anterior executivo camarário.

O deputado Gustavo Pimenta afirmou que o executivo liderado por Rui Rio prometeu resolver os problemas do bairro do Aleixo e do mercado do Bolhão, construir um «centro de congressos» e avançar com a «requalificação urbana», e perguntou se o ex-autarca «cumpriu» com o que prometeu.

A vereadora Guilhermina Rego, que fez parte da equipa de Rui Rio e agora está na de Rui Moreira, saiu em defesa daquele. O atual autarca manteve-se em silêncio.

As contas de 2013 foram aprovadas com os votos favoráveis do grupo municipal Porto: O Nosso Partido, que apoia Rui Moreira, e do PSD, mas com a abstenção socialista. CDU e Bloco de Esquerda votaram contra.

O social-democrata Luís Artur disse que as contas mostram que «a estrutura financeira da Câmara é boa, em alguns aspetos até excelente».

«Temos orgulho na obra feita», resumiu Luís Artur, o qual, recorde-se, foi eleito pela lista do derrotado Luís Filipe Menezes.

O deputado acrescentou que Rio preparou a Câmara do Porto para um novo ciclo, baseado numa «política de desenvolvimento» que espera vir a ser adotada pelo atual executivo.

Mas para o deputado da CDU Honório Novo as contas revelam uma «quebra continuada do investimento municipal», um crescimento das despesas correntes e um aumento da carga fiscal direta sobre os munícipes.

Honório Novo considerou ainda que os «24,5 milhões de euros» que a Câmara pagou por ter impedido construções no Parque da Cidade, anteriormente aprovadas, foram uma «prenda de Rui Rio a um grupo privado».

O eleito da CDU disse que a concessão parcial da limpeza urbana a uma empresa privada custou «mais 9,6 milhões de euros do que estava previsto», o que na sua opinião é comparável a uma «renda excessiva».

Questionou também o saldo de gerência positivo obtido em 2013, de mais de 20 milhões de euros, perguntando mesmo para que serve.

«Um município não serve para ter excedentes ou lucros», argumentou Honório Novo.

O BE referiu também que o investimento municipal está em queda desde há vários anos, tendo-se ficado pelos «22,3 milhões em 2013» contra, por exemplo, 25,5 no anterior e 38,8 em 2011.