Um problema numa máquina da secção de pinturas da fábrica Caetano Coatings terá estado na origem do incêndio de terça-feira nesta fábrica de componentes automóveis e na congénere Dura Automotive, disse esta quarta-feira o comandante da Proteção Civil de Alenquer.

Rodolfo Baptista explicou à agência Lusa que o fogo começou «numa das máquinas da secção de pintura» da Caetano Coatings, no Carregado, e que entre as causas poderá estar um curto-circuito que, para já, não pode confirmar.

Por ter material altamente inflamável, o fogo alastrou até à fábrica vizinha, também de componentes de automóveis, a Dura Automotive Portugal.

No interior de ambas, localizadas no complexo industrial do Grupo Salvador Caetano, estariam 120 trabalhadores, que conseguiram sair a tempo. Apenas cinco pessoas tiveram de receber assistência no local por inalação de fumo.

Passadas oito horas do rescaldo do incêndio, o responsável adiantou esta manhã que as «secções de montagem e de pintura de ambas as unidades ficaram totalmente destruídas».

O presidente da Câmara de Alenquer, Pedro Folgado, que tem estado em contacto com a administração da Caetano Coatings, mas que ainda não conseguiu falar com responsáveis da Dura Automotive, disse hoje que «está preocupado» com eventuais despedimentos entre os cerca de 600 trabalhadores das duas empresas.

O autarca adiantou que, da parte da Caetano Coatings, recebeu a informação de que «asseguraria esses postos de trabalho, porque têm muitos clientes à espera dessa matéria-prima».

«Portanto, esses postos de trabalho seriam assegurados noutros espaços dentro da fábrica ou deslocalizariam para outros locais onde a empresa opera ou de outros parceiros», indicou.

O incêndio começou na terça-feira às 19:20 e entrou em fase de rescaldo às 00:14, mas dentro das instalações ainda se mantêm equipas dos bombeiros a «consolidar o rescaldo», segundo o comandante municipal.

Do incêndio resultaram sete feridos ligeiros - cinco funcionários e dois bombeiros, um dos quais foi transferido para o hospital de Vila Franca de Xira.

O combate ao sinistro esteve a ser efetuado por 140 bombeiros, de 14 corporações do distrito de Lisboa, que mobilizaram 39 veículos.

Esta foi a segunda vez em seis meses que a fábrica da Dura Automotive Portugal, no Carregado, foi atingida pelo fogo.

Em setembro de 2014, a unidade, localizada no concelho de Alenquer, foi atingida por um fogo que começou com uma explosão num quadro elétrico. Além dos estragos, fez dois feridos, um deles grave.

Entretanto, a Salvador Caetano esclareceu que o incêndio no Carregado aconteceu em instalações que tem arrendadas a uma empresa que já não pertence ao grupo, a Caetano Coatings, SA.

«Nestas mesmas instalações, o Grupo Salvador Caetano dispõe de uma unidade de comercialização de veículos industriais e um centro de formação que não foram afetados pelo incêndio», explica o grupo empresarial, em comunicado enviado à agência Lusa.