Pouco mais de um ano depois da Ministra da Justiça ter considerado o Estabelecimento Prisional de Alcoentre exemplar, surgem denúncias graves de dois guardas prisionais aposentados e de um ex-recluso.
 
«Nós temos tudo. Temos droga. Temos telemóveis. Andamos à vontade», garante o ex-recluso que falou com a TVI que garante ainda «há todo o tipo de droga. Cocaína, heroína, tudo». Denúncias que surgem numa altura em que têm vindo a público informações sobre o contacto de reclusos com o exterior, através  do uso de telemóveis com Internet.
 
Três elementos que conhecem bem a cadeia de Alcoentre denunciam ainda o comportamento da Direção do Estabelecimento Prisional. Garantem que «pouco faz para inverter a situação».

Um dos ex-funcionários do Estabelecimento Prisional (EP) garante que há reclusos que têm visitas conjugais, sem fazerem prova dos mínimos exigíveis para essas visitas serem autorizadas, mas que são, no entanto, autorizadas pelo diretor.
 
Segundo estes testemunhos, o número de agressões entre reclusos e a guardas prisionais tem aumentado dentro da cadeira de Alcoentre, mas estes episódios nunca são tornados públicos.
 
Contactados pela TVI, o Estabelecimento Prisional de Alcoentre e a Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais desvalorizam estas denúncias. Garantem que «em 2014  foram apreendidos 107 telemóveis e 600 gramas de produtos estupefacientes».
 
Carrinha com matrícula cancelada
 
Esta cadeia de regime aberto transporta diariamente dezenas de reclusos para o centro de formação (CPJ), a poucos metros do EP. Estes guardas prisionais aposentados denunciam que durante um período de tempo o CPJ era guardado por dois reclusos do EP durante a noite.
 
Os reclusos que cumprem pena na prisão de Alcoentre são transportados todos os dias para este centro de formação. O percurso é feito  numa carrinha, cuja matrícula está cancelada desde 2008.
Um transporte sem seguro e inibido de circular na via pública.
 
Refeitório não funciona
 
Estes ex-funcionários garantem ainda que nesta carrinha com capacidade máxima de 26 lugares, são transportados cerca de 50 reclusos, mas as denúncias vão mais longe: «O consumo era feito com combustível agrícola, visto que o EP tem uma bomba interna», garante fonte à TVI.
 
Em janeiro de 2014, o Governo gastou cerca de 5 milhões de euros para inaugurar um pavilhão e uma ala prisional recuperada. Mais de um ano depois, o refeitório ainda não está a funcionar. «O fornecimento da comida em cuvetes é do agrado da população prisional», justifica a Direção Geral de Reinserção e dos Serviços Prisionais.