Era um fim de tarde chuvoso, naquela que será talvez a rua mais movimentada no concelho de Sintra. Um fim de tarde em que, com um simples gesto, um polícia se havia de tornar herói.

Na Avenida dos Bons Amigos, no Cacém, seguia uma idosa, com dificuldades de locomoção, apoiada numa bengala e a arrastar atrás de si o saco com as compras. O agente da PSP Marco Rodrigues não pensou duas vezes e correu a ajudar a mulher.

Eram umas quatro ou cinco da tarde. A senhora ainda hesitou, mas lá aceitou. Era uma senhora já sinalizada pelas nossas equipas do policiamento de proximidade. Peguei no carrinho das compras e eu e o meu colega acompanhámo-la a casa”, recorda o agente Marco Pais, em declarações à TVI.

 

Para mim, foi um ato de civismo. Nem foi enquanto polícia que fiz aquilo. Foi enquanto pessoa. Claro que, com a farda, há uma maior obrigação da nossa parte, mas foi enquanto homem que fiz aquilo.”

O colega de patrulha ficou para trás e tirou a fotografia, que a Polícia divulgou na sua página do Facebook.

A imagem foi divulgada há três dias e já teve quase 2300 partilhas, cerca de oito mil reações e mais de 270 comentários, onde se leem elogios ao agente e se recordam outras histórias de polícias bons.

Marco Pais, de 26 anos, reage com humildade ao mediatismo da situação: “Não estava à espera de tanta adesão àquela fotografia”.

A imagem traduz as razões pelas quais Marco Pais não regressou ao seu Alentejo e permaneceu em Lisboa, depois de deixar a vida militar. Há dois anos tornou-se polícia para “contribuir para que o mundo seja melhor e para praticar o bem”. Já sabia que ser polícia também é combater o crime, mas é muito mais que isso.

Ser polícia é ter um leque enorme de valências. Antes de ser polícia, nem eu sabia que eram tantas.”

Nestes dois anos de farda, Marco passou por Massamá, Mira Sintra e Cacém, sempre no concelho de Sintra, o mais populoso do país. Nunca se arrependeu de envergar a farda.

Antes pelo contrário. São os episódios do dia a dia que o fazem querer continuar. Como aquele dia de feira, em Monte Abraão, em que assistiu ao reencontro de uma mãe que tinha perdido a filha bebé no meio da confusão:

Eu estava de serviço remunerado à feira de Monte Abraão. Uma senhora veio ter connosco com uma menina de uns dois anos. Tinha-se perdido da mãe no meio da confusão. A mãe tinha-lhe largado a mão e, no meio da confusão, perdeu-a em segundos. Quando encontrámos a senhora e ela se identificou, mostrou o cartão de cidadão da menor e lha entregámos, ficou muito emocionada. Foi uma história que me marcou.”