O presidente da Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) O Sonho, em Setúbal, vai ser constituído arguido e ouvido ainda esta sexta-feira, na Polícia Judiciária de Setúbal, disse à agência Lusa o diretor daquela polícia, Vítor Paiva. Pelas 20:00, ainda estavam a ser realizadas buscas na instituição, com a cooperação da Segurança Social. Há suspeitas dos crimes de fraude na obtenção de subsídio, participação económica em negócio e peculato (desvio ou roubo de dinheiros públicos por quem os tinha a seu cargo).

Numa primeira reação, o presidente daquela IPSS, Florival Cardoso, negou que tenha cometido qualquer irregularidade na gestão da associação, manifestando vontade em se demitir do cargo que ocupa há mais de três décadas. Também já estava à espera de vir a ser constituído arguido no decurso do inquérito, o que virá, sabe-se agora pela PJ, mesmo a acontecer. Assim pode conhecer o processo e "defender-se" das "acusações infundadas".

O presidente da "O Sonho" declarou estar a colaborar com as autoridades no apuramento da verdade, acrescentando que vai reunir, assim que possível, com os restantes elementos da direção da IPSS, mas que a sua vontade, neste momento, é a de pedir a demissão do cargo.

Sinto-me desiludido com tudo isto. Dei muito mais do que aquilo que recebi ao longo dos anos a esta instituição para agora haver isto”.

Em declarações à agência Lusa, Florival Cardoso, presidente da IPSS ‘O Sonho’, fundada em 1980 e que apoia centenas de utentes em diversas valências, como na reinserção social de famílias ou na disponibilização de diversas creches e infantários, afirmou “estar de consciência tranquila”, mas “desiludido com a perseguição” que diz estar a ser feita às IPSS.

Florival Cardoso disse desconhecer a queixa que deu origem ao inquérito, mas que espera que a mesma não seja anónima para que possa pedir responsabilidades ao autor ou autores, na defesa da sua honra e bom nome.

Ministro quer Justiça

No Porto, o ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social considerou que, mais importante do que o volume de Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) investigadas, é que o trabalho se faça e se corrijam os erros, se existirem.

Vieira da Silva reagiu às buscas da Polícia Judiciária à IPSS 'O Sonho', em Setúbal, afirmando que qualquer caso individual o "preocupa".

Questionado sobre a quantidade crescente de instituições investigadas, o ministro apelou aos números para dizer que, "quem olhar para as intervenções que foram feitas ao longo dos últimos anos, verá que tiveram sempre alguma dimensão"

Admitindo que "talvez hoje haja maior atenção pública a esses factos", lembrou as ações desencadeadas "pela fiscalização da Segurança Social, inspeção do Ministério do Trabalho e, quando se justifica, do Ministério Público".

O que é importante é que esse trabalho se faça e se corrijam, onde se tiverem que corrigir, os erros, onde eles existirem", argumentou Vieira da Silva.

Ações de fiscalização

Números fornecidos à agência Lusa pelo ministério dão conta que, entre "2015 e 2017, o Departamento de Fiscalização do Instituto da Segurança Social realizou 2.867 ações de fiscalização a IPSS que resultaram em 62 propostas de suspensão de acordos de cooperação".

Foram levantados 1.710 autos de contraordenação e 61 de ilícitos criminais, estes últimos enviados para o Ministério Público territorialmente competente", acrescenta a nota informativa.

A Polícia Judiciária (PJ) realizou buscas à instituição particular de solidariedade social (IPSS) ?O Sonho', em Setúbal, por suspeitas dos crimes de fraude na obtenção de subsídio, participação económica em negócio e peculato.

A Segurança Social emitiu, entretanto, um comunicado em que confirma a colaboração na investigação à IPSS.

O Instituto da Segurança Social, I.P. integra a equipa conjunta com a Polícia Judiciária que hoje realizou buscas à instituição particular de solidariedade social ?O Sonho'", afirma o Instituto da Segurança Social (ISS).