Faziam falsos peditórios em nome de alegadas associações de cariz social e, com isso, conseguiram 1 milhão de euros. Os suspeitos desta burla que afetou 2.000 pessoas foram detidos hoje, pela PSP, em Vila Nova de Famalicão.

Em comunicado, a PSP refere que os três detidos residem naquela cidade e são suspeitos de associação criminosa e burla qualificada.

Hoje, na sequência de uma investigação que decorria há meio ano, a Esquadra de Famalicão efetuou cinco mandados de busca. Deteve dois homens de 40 e 68 anos e uma mulher de 35.

Foram apreendidos diversos objetos relacionados com aquela atividade, designadamente milhares de fichas de identificação contendo os dados das vítimas (doadores), recibos falsos, carimbos falsos de associações, material informático, documentação, apontamentos, um automóvel e cerca de 300 euros.

Segundo a PSP, a “organização” operava a coberto do nome de várias associações de cariz social, todas utilizando moradas falsas e elementos de identificação falsos, em concreto os números fiscais.

Centrava-se no concelho de Vila Nova de Famalicão, mas também se ramificava por todo o território nacional e Ilha da Madeira.

O modus operandi do grupo consistia em previamente contactar telefonicamente pessoas, utilizando o nome de uma das associações, e depois tentar obter a doação de dinheiro”.

Após confirmação do interesse das potenciais vítimas na doação, era combinada a entrega de dinheiro, contra a entrega de um recibo no valor da doação e em nome da associação.

As chamadas telefónicas eram efetuadas por jovens mulheres, contratadas por períodos de curta duração, cerca de três semanas a um mês. Estabeleciam o contacto telefónico com as vítimas, alegando que o dinheiro a doar se destinava a uma causa social, normalmente associada a crianças com doenças oncológicas e com necessidade de tratamentos no estrangeiro.

A maioria das vítimas procedia à entrega mensal das quantias acima referidas, motivo pelo qual muitas das vezes nem questionavam mais o destino da doação, tanto mais que a maior parte das vítimas eram pessoas aposentadas ou de meia-idade”.

O valor exato das burlas praticadas ainda não está avaliado, mas a PSP estima que em causa esteja cerca de um milhão de euros.

Os burlões gastaram esse dinheiro em proveito próprio, “sendo que nalguns casos as vítimas terão ficado em dificuldade financeira”.

Dois dos suspeitos têm antecedentes criminais por abuso de confiança e falsificação de documentos.

Os detidos vão ser apresentados na quinta-feira nos Serviços do Ministério Público de Famalicão.