O Partido Nacional Renovador (PNR) anunciou, esta sexta-feira, que vai limpar a estátua ao cónego Eduardo Melo, colocada no sábado numa rotunda da cidade de Braga e vandalizada com tinta na noite de segunda para terça-feira.

«É intenção do PNR contactar com a Câmara Municipal de Braga no início da próxima semana e mobilizar militantes do partido para esse efeito. À cobardia e à destruição de património, o PNR responde com a civilidade, a nobreza e o voluntarismo dos seus militantes», refere, em comunicado.

No sábado, um grupo de cidadãos de Braga colocou uma estátua ao cónego Melo numa rotunda da cidade, na segunda-feira houve uma manifestação exigindo a sua remoção da peça e na manhã de terça-feira o conjunto escultórico apareceu vandalizado.

No pedestal, foram pintadas a vermelho as palavras «fascista», «assassino» e «padre Max», tendo ainda sido lançada tinta azul que atingiu a própria estátua.

O PNR já repudiou a vandalização da estátua e lembrou que o homenageado «nunca foi condenado por qualquer crime», tendo mesmo a Assembleia da República destacado os seus «relevantes serviços» ao país.

Os contestatários da estátua alegam que o cónego Melo «ficaria conhecido, após o 25 de Abril, por ter apoiado organizações de extrema-direita, apostadas no derrube do regime democrático, através de ações armadas que vieram a acontecer, com relevantes danos e vítimas humanas, e às quais deu cobertura moral e operacional».

Dizem ainda que o homenageado era «bem relacionado com o poder económico e político locais», tendo primado a sua ação «como intermediário de interesses privados» e usado a sua «capacidade de influência em favor dos amigos e daqueles que lhe eram subservientes».

Acusam-no de ter orquestrado «ataques a sedes de partidos democráticos, como o PCP, de sindicatos e de outras organizações de esquerda», e de ter apoiado atentados bombistas, «designadamente o que vitimou o padre Max».

Na Câmara de Braga, a colocação da estátua foi aprovada com os votos favoráveis da maioria socialista, enquanto os vereadores da coligação Juntos por Braga se abstiveram.

Uma petição exigindo a remoção da estátua já recolheu mais de 1360 assinaturas.