A época mais crítica em incêndios florestais termina na segunda-feira com mais de 120 mil hectares de área ardida, a maior dos últimos três anos, nove mortos e 73 detidos pela Polícia judiciária.

Agosto, particularmente a última quinzena, foi um mês devastador, tendo as chamas consumido 85.663 hectares de florestas e provocado a morte a oito bombeiros e a um civil, continuando ainda internados outros oito bombeiros.

Os bombeiros mortos este ano no combate a incêndios florestais ultrapassam a média anual de três mortes verificada desde 1980, disse à agência Lusa o diretor nacional de bombeiros, da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), Pedro Lopes.

Comparando com 2012, este ano morreram mais quatro bombeiros.

Devido à vaga de incêndios que assolou o país em agosto, Portugal teve necessidade de receber apoio de cinco meios aéreos de Espanha e França através de acordos bilaterais e dois aviões canadair croatas no âmbito do Mecanismo Europeu de Proteção Civil.

Dados divulgados à Lusa pela ANPC indicam que 29 de agosto foi o dia com maior número de incêndios, tendo-se registado 399 ocorrências de fogo, dos quais 46 por cento ocorreram durante a noite.

Já o dia com maior número de operacionais envolvidos foi a 28 de agosto, tendo estado no combate às chamas um total de 10.362 operacionais, adianta a ANPC.

Segundo a Proteção Civil, entre 01 de janeiro e 24 de setembro registaram-se 19.237 incêndios, que envolveram 366.178 operacionais e 96.862 meios terrestres.

O último relatório do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) refere que a área ardida aumentou este ano 13 por cento em relação a 2012, tendo os incêndios florestais consumido, até 15 de setembro, um total de 121.168 hectares.

A aérea ardida deste ano é superior aos dos últimos três anos e, na última década, é apenas superada em 2003, 2005 e 2010.

O maior incêndio deste ano começou a 09 de julho no concelho de Alfândega da Fé (Bragança) e estima-se que terá consumido uma área de 14.912 hectares, dos quais cerca de 11.980 são espaços florestais, de acordo com o ICNF.

Outros grandes incêndios deflagraram no distrito de Viseu, nomeadamente o que atingiu a serra do Caramulo.

A Polícia Judiciária deteve este ano 73 pessoas pelo crime de incêndio florestal, mais 17 do que 2012, quando foram detidos até ao final de setembro 56.

Segundo a PJ, 64% (47) dos detidos ficaram em prisão preventiva.

A GNR identificou este ano 463 suspeitos de fogo posto e registou 1.826 contraordenações por crime de fogo, designadamente por falta de limpeza de mata, num registo Lusa.