A porta-voz do Ministério Público de Berlim, Simone Herbeth, disse este sábado que a autorização para a autópsia ao corpo do português Afonso Tiago deverá ser concedida já no início da semana.

«A autópsia é necessária nos casos em que (as causas de) a morte não está esclarecida, mesmo que não existam, até agora, indícios de crime», afirmou.

As primeiras perícias médico-legais efectuadas depois do corpo de Afonso Tiago ter sido encontrado sexta-feira pela polícia no rio Spree, em Berlim, não revelaram quaisquer sinais de violência sobre o corpo.

No entanto, só após a autópsia se poderá dizer qual foi a causa da morte, de acordo com a polícia.

Afonso Tiago desapareceu na madrugada de 10 de Janeiro em Berlim quando regressava a casa, a pé, depois de ter estado num bar tecno com alguns amigos portugueses.

O engenheiro mecânico, 27 anos, estava há seis meses na capital alemã a estagiar na sucursal da empresa Active Space Tecnologies de Coimbra, especializada em projectos espaciais, ao abrigo do programa Inove Contact do Ministério da Economia português.

A família e os amigos de Afonso Tiago distribuíram milhares de cartazes em Berlim para tentar encontrar o desaparecido, organizaram um blogue na Internet e uma petição ao Presidente da República Portuguesa, que recolheu mais de dez mil assinaturas.

A polícia judiciária de Berlim envolveu nas investigações consideráveis meios, mas até ao aparecimento do corpo no Spree, na sexta-feira, não tinha qualquer pista ou explicação para o caso.

De acordo com especialistas ouvidos pela agência Lusa, a explicação para o corpo ter permanecido tanto tempo - quase dois meses - sem ser encontrado no rio Spree, apesar das buscas policiais com barcos e mergulhadores, pode estar nas baixas temperaturas das últimas semanas (que rondaram os zero graus e negativas), que levam a que um corpo permaneça submerso e atrasam o processo de decomposição.

A subida das temperaturas, registada nos últimos dias, levou ao aparecimento à superfície do corpo, acrescentaram.