Um homem que era perseguido pela GNR morreu esta sexta-feira, no Porto Alto (Benavente), na sequência de uma troca de tiros com os militares, depois de um destes ter sido baleado num braço, disse à Lusa fonte policial.

Pedro Reis, oficial de Relações Públicas do Comando Territorial de Santarém da Guarda Nacional Republicana (GNR), disse à Lusa que a troca de tiros aconteceu na sequência de uma perseguição iniciada cerca das 10:00 na ponte Vasco da Gama, em Lisboa, quando três indivíduos que seguiam numa viatura desobedeceram a uma ordem de paragem.

A viatura acabou por se despistar no Porto Alto, no concelho de Benavente, no distrito de Santarém, tendo um dos homens saído do carro e disparado em direção aos militares, ferindo um deles no braço, afirmou. Na resposta, o homem foi baleado, acabando por morrer no local, disse a fonte.

O outro elemento conseguiu escapar, mas já foi capturado pelas autoridades.

O terceiro homem barricou-se num café situado junto a um hipermercado no Porto Alto, tendo a zona sido evacuada. As forças policiais cercaram o local e o homem acabou por ser capturado cerca de duas horas depois, por volta das 12:20.  O suspeito estava sozinho no estabelecimento e as autoridades estão ainda a averiguar se possuía alguma arma.

As forças locais foram reforçadas com elementos da Unidade de Intervenção da GNR, nomeadamente do Grupo de Operações Especiais e uma equipa de negociadores.

O militar ferido foi transportado para o Hospital de Santarém, e encontra-se "estável", de acordo com a informação veiculada pela GNR ao início da tarde.  Um outro elemento da GNR, que o acompanhava na patrulha, recebeu acompanhamento psicológico de uma equipa do Instituo Nacional de Emergência Médica (INEM). 

Enquanto decorria o cerco ao café, Nélson Lopes, uma testemunha no local, contou, em entrevista à TVI24, que o homem terá entrado no estabelecimento dirigindo-se imediatamente para uma arrecadação, onde se barricou.

Sara Matias, que trabalha no café, confirmou esta informação e relatou que o homem lhe pediu para que não revelasse às autoridades a sua localização.

Ele disse 'não digas que estou aqui'. Depois, fugi e as outras pessoas também. Era um senhor de etnia cigana, alto, jovem, com cerca de 20 e poucos anos. (...) Estava muito nervoso, a chorar. Não me ameaçou, só tive tempo de fugir e mais nada."

O proprietário do estabelecimento acrescentou que o homem não tinha hipótese de fuga, uma vez que todas as portas do café foram fechadas.

De acordo com o oficial, que falava cerca das 14:00, a ordem de paragem, aleatória, decorreu num âmbito de uma ação de fiscalização rodoviária de rotina, havendo agora investigações para averiguar o que levou os homens a não pararem.

As autoridades estão a investigar se os três estariam armados - de momento há apenas a certeza em relação ao homem que fez os disparos contra os militares - e estão a identificá-los, adiantando apenas que têm idades entre os 20 e os 35 anos.

Só após essa diligência as famílias, que se juntaram próximo do perímetro de segurança, serão informadas sobre qual dos três perdeu a vida, adiantou.

Várias mulheres tentaram romper o perímetro de segurança, exigindo saber qual dos três homens, todos eles casados e com filhos, morreu.

Os dois detidos foram levados para um posto da GNR e a Polícia Judiciária está a realizar perícias no local.

Naquela zona do Porto Alto, onde o ambiente é de consternação, alguns populares referiram que o grupo teria participado num assalto, mas elementos da família asseguraram que os homens não pararam porque não possuíam carta de condução.