O Presidente da República lamentou hoje a morte do empresário Belmiro de Azevedo e prestou-lhe homenagem, elogiando as suas capacidades de "liderança, determinação, visão de futuro e empenhamento social e cultural".

Num curto comunicado divulgado no portal da Presidência da República na Internet, Marcelo Rebelo de Sousa considera-o uma "figura marcante" do meio empresarial e da sociedade portuguesa e apresenta à sua família "sentidas condolências".

Belmiro de Azevedo, um dos homens mais ricos de Portugal, que esteve décadas na Sonae e a transformou num império com negócios em várias áreas e extensa atividade internacional, morreu hoje aos 79 anos.

No momento em que nos deixa, quero homenagear o Eng.º Belmiro de Azevedo, figura marcante do nosso meio empresarial e da sociedade portuguesa, em termos de liderança, determinação, visão de futuro e empenhamento social e cultural ao longo de mais de 40 anos", afirma o chefe de Estado, na nota divulgada.

Marcelo apresenta à família as suas "sentidas condolências".

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Parlamento aprova voto de pesar, PCP votou contra

 A Assembleia da República aprovou já um voto de pesar pela morte de Belmiro de Azevedo, manifestando "total solidariedade" à família e amigos. O PCP votou contra, BE e PEV abstiveram-se. 

"A Sonae está hoje presente na Comunicação Social, telecomunicações, retalho, desenvolvendo ao mesmo tempo, através da sua fundação, uma obra social muito assinalável nos domínios da educação, cultura e solidariedade", lê-se no texto proposto pelo próprio presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, figura tutelar daquele grupo empresarial.

Os deputados destacaram ainda o percurso do empresário que "soube transformar a Sonae numa referência internacional" e "era hoje um dos homens mais ricos do país e do Mundo".

O país continua a olhar para a Sonae como um referencial de criação de riqueza e emprego, na certeza de que continuará a procurar os melhores padrões de inovação empresarial e responsabilidade social".

Governo: "É uma grande perda para Portugal"

O ministro da Economia reagiu ao falecimento de Belmiro de Azevedo dizendo que é “uma grande perda para Portugal”. Manuel Caldeira Cabral defende que o ex-líder do grupo Sonae foi “muito inovador” em termos de gestão.

O ministro endereçou ainda “condolências” aos três filhos de Belmiro de Azevedo e sublinhou que o grupo Sonae “afirmou Portugal no estrangeiro” e que aquele empresário foi “muito inovador em termos de gestão”.

Acho que a sociedade portuguesa tem muitos aspetos de gratidão para com ele”.

Também o ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, lamentou a morte do empresário, que elogiou enquanto alguém que soube relacionar os negócios e as Artes. Uma pessoa “com uma notável capacidade de trabalho, [que] soube compatibilizar a sua dedicação aos negócios com o interesse pelas áreas da Cultura, da Educação, das Artes e da Solidariedade, que expressou através da constituição da Fundação com o seu nome, em 1991”, lê-se na nota emitida pelo ministro.

O homem que elogiava a mudança e que dizia não acreditar num futuro sem trabalho, contribuiu também para a formação de um jornal diário e de referência no panorama nacional”, declarou o ministro, que recordou a fundação do jornal Público.

PSD recorda "genialidade empresarial e empreendedora"

O PSD recorda Belmiro de Azevedo como “uma das mais marcantes figuras empresariais do período democrático”, considerando que a sua morte constitui “uma trágica perda para a sociedade portuguesa”, expresando à sua família, amigos e ao Grupo Sonae "o seu mais profundo pesar”.

O PSD recorda que a “genialidade empresarial e empreendedora” de Belmiro de Azevedo levou à edificação de um grupo económico com forte expressão internacional, que atua nos mais diversos setores de atividade.

CDS elogia "empresároi e empreendedor ímpar"

Da parte do CDS-PP, o deputado Mota Soares recordou como “um empresário e um empreendedor ímpar em Portugal” e apresentou condolências à família.

Foi um empresário e empreendedor ímpar em Portugal. Foi alguém que mudou muito o setor da distribuição, mas que depois fez um conjunto de investimentos no setor da comunicação social”.

Para o deputado centrista, o fundador da Sonae “demonstrou sempre que acreditava nas empresas portuguesas, demonstrou sempre uma fortíssima aposta na internacionalização da economia, na inovação, na qualificação dos seus quadros”.

CIP: "Grande amigo, empresário e criador de riqueza"

O presidente da CIP - Confederação Empresarial de Portugal, António Saraiva, teceu rasgados elogios a Belmiro de Azevedo.

Recordo o engenheiro Belmiro de Azevedo pela sua frontalidade e pela sua assertividade. Ao mesmo tempo que era uma pessoa afável, não deixava de ser direto, frontal, porque não estava refém deste ou daquele poder. Tinha o condão de chamar as coisas pelos nomes e de por o dedo na ferida mas, sobretudo, recordo-o como um grande amigo, empresário e como um criador de riqueza”.

À Lusa, o presidente da CIP sublinhou ainda o trabalho de Belmiro de Azevedo no grupo Sonae, nomeadamente, pela expansão da “sua atividade, não só ao ramo da distribuição, das comunicações e das telecomunicações, [mas] também internacionalmente”.

“Gostaríamos que a sua experiência e o seu exemplo pudessem ser replicados, para que o país pudesse, mais rapidamente, alvejar o crescimento que todos desejamos”, concluiu o dirigente.

FCP Porto recorda o seu atleta

O FC Porto também emitiu uma nota de condolências para a família e amigos do empresário, recordando o antigo dirigente, atleta e sócio do clube há 55 anos.

O clube lembrou que o antigo chairman do grupo Sonae “era o sócio 1.714” dos ‘dragões’, há 55 anos, que já lhe tinha valido a distinção com a roseta de ouro, além de ter sido andebolista do FC Porto e dirigente da secção de natação. A bandeira do clube foi colocada a meia haste.

Marco de Canaveses: "Nunca virou as costas às origens"

O presidente da Junta de Freguesia do Marco, onde nasceu Belmiro de Azevedo, reagiu à morte do conterrâneo lamentando "a grande perda" e lembrando o empresário como "alguém sempre próximo das suas origens".

Foi uma pessoa que nunca virou as costas às origens".

Celso Santana, em declarações à Lusa, disse que se deslocava a Marco de Canaveses todos os fins de semana, concretamente à localidade de Tuías (atualmente incluída na Freguesia do Marco), onde nasceu e tinha casa. Quando estava no concelho passava a maioria do tempo em casa a descansar.

Celso Santana referiu ter laços de parentesco com o empresário, uma vez que Belmiro de Azevedo era primo direito da mãe do atual presidente da junta.