Os bebés com menos de 32 semanas de gestação, alimentados com leite materno, têm metade das probabilidades de voltarem a ser internados em relação aos que recebem leite artificial, de acordo com um estudo divulgado esta quarta-feira.

Segundo o Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), a partir de um estudo que envolveu mais de 400 crianças nascidas entre 01 de junho de 2011 e 31 de maio de 2012, verificou-se «que cerca de um terço dos bebés muito prematuros avaliados, teve algum problema de saúde que implicou, pelo menos, um internamento hospitalar no primeiro ano de vida», principalmente devido a complicações respiratórias.

Assim, o estudo, no âmbito do projeto europeu EPICE, revelou que os bebés «que apenas estavam a receber leite artificial, à data da alta hospitalar da Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais, tinham duas vezes mais risco de serem ‘reinternados’ durante o primeiro ano de vida, quando comparados com os bebés que estavam a receber leite materno».

Os resultados preliminares do estudo sobre bebés prematuros, que tem em Portugal como investigador principal o presidente do ISPUP, Henrique Barros, mostram que, «aos dois anos de idade, 6% das crianças tomam medicação para a asma diariamente e aproximadamente 20% tomam qualquer outro tipo de medicação regularmente».

O documento recorda que, em Portugal, oito em cada cem bebés são prematuros e um em cada cem nasce com menos de 32 semanas de gestação.

O projeto EPICE (Cuidados Intensivos Neonatais Eficazes na Europa, na sigla em inglês) abrange 11 países e é coordenado em Portugal pelo Departamento de Epidemiologia Clínica, Medicina Preditiva e Saúde Pública da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto em parceria com o ISPUP.

A iniciativa pretende «construir uma base de conhecimento empírico sobre como as provas científicas se traduzem em provisões dos serviços de saúde nas unidades de obstetrícia e neonatais», para além de «identificar catalisadores para a aplicação de práticas assentes em provas» e «desenvolver estratégias para alcançar mudanças nos cuidados de saúde neonatais».