O Bloco de Esquerda (BE) pediu hoje uma «resposta de fundo» aos diversos «problemas» nas prisões portuguesas, descrevendo como um «tabu» o que se vive nesses espaços.

«A situação nos estabelecimentos prisionais ultrapassou os limites toleráveis e o argumentário dos cortes não pode continuar a justificar as condições sub-humanas que lá se vivem. Os estabelecimentos prisionais têm hoje 14.400 pessoas detidas, quando a sua lotação é de 12.077», declarou a deputada bloquista Cecília Honório, numa declaração política no parlamento.

Para a deputada, «o que se passa nas prisões e as condições em que vivem os detidos é um tabu», e a resposta de fundo «tem sido adiada porque a austeridade é, afinal, o argumentário da sub-humanidade que se vive nas cadeias portuguesas».

«Entre doenças de pele, situações de fome, violência extrema, roupa que não é lavada há anos e aumento de ratos, baratas, percevejos, tudo se passa nos estabelecimentos prisionais», disse Cecília Honório.

PS e PCP concordaram na pertinência do tema, mais a mais na «situação de crise para o que país foi arrastado».

Já o PSD, pelo deputado Hugo Velosa, subscreveu a necessidade de fazer o debate sobre a matéria em sede de comissão parlamentar, acusando o BE de «fazer um número» por se focar em «casos isolados, situações pontuais» e não numa perspetiva geral do sistema prisional português.