Uma bancária e mais cinco arguidos foram acusados de associação criminosa e quatro crimes de roubo agravado num processo relativo aos assaltos a uma agência Millennium BCP, de que aquela era funcionária, e a uma casa, em Alvaiázere.

Aos seis arguidos, entre os 33 e os 54 anos, o Ministério Público (MP) de Alvaiázere, no distrito de Leiria, imputa ainda dois crimes de incêndio e três crimes de ofensa à integridade física qualificada.

No âmbito deste processo, três destes arguidos respondem, também, por detenção de arma proibida, enquanto dois deles estão igualmente acusados de tráfico de estupefacientes. Um sétimo suspeito, de 40 anos, é responsabilizado pelo crime de detenção de arma proibida e tráfico de estupefacientes.

Segundo o MP, os seis arguidos delinearam um plano de forma a criarem um grupo organizado para tirarem dinheiro da agência - onde a bancária trabalhava há 11 anos -, tendo, ainda, definido a residência de um casal como um segundo alvo.

O MP refere que a bancária teria um papel primordial no assalto à agência, enquanto a filha daquela no roubo ao casal, cujas rotinas conhecia e com o qual teve uma relação de amizade.

A dois arguidos que, à semelhança das suspeitas, estão detidos preventivamente, caberia executar os assaltos, pois tinham facilidade no uso de armas e experiência em situações de idêntica natureza. Dois outros suspeitos teriam um papel secundário, mas auxiliavam na execução do plano.

O despacho de acusação relata que, antes do assalto à agência, a filha da bancária e o companheiro, proprietário de um stand de automóveis, venderam um carro, mas apenas entregaram uma chave às compradoras. A chave de reserva foi usada para subtrair o veículo que foi usado no assalto e, depois deste, incendiado.

Também antes, a arguida funcionária do banco pediu um reforço de 50 mil euros em numerário do cofre-forte do Millennium de Alvaiázere, agência que tinha cerca de 178 mil euros, incluído o dinheiro da ATM, no dia do assalto, 30 de outubro de 2012, valor que foi roubado.

Segundo o MP, o assalto ocorreu após aquela abrir a porta da agência, momento em que dois arguidos, encapuzados e armados, a empurraram para o interior e forçaram a entrada da funcionária da limpeza. No interior estavam ainda outras duas funcionárias. As quatro foram agredidas.

No banco, os arguidos atearam fogo a uma caixa de envelopes e peças de vestuário e usaram detergentes para limpar a zona dos cofres. Antes de saírem, um deles deu um tiro no pé da bancária arguida.

O MP adianta que o assalto à habitação ocorreu a 11 de fevereiro de 2013, dia em que quatro elementos do grupo se introduziram na casa, onde, pelas 19:45, chegou a proprietária com um filho menor.

Ameaçados com armas, ambos foram manietados e à mulher foi determinado que telefonasse ao marido que se deslocou para casa, tendo sido manietado e agredido.

Quatro horas depois, já na posse de todos os objetos de valor existentes (dinheiro, armas, peças de ourivesaria, entre outras), os assaltantes saíram num carro das vítimas, posteriormente incendiado.

O MP arrolou 30 testemunhas entre as quais dez inspetores da Diretoria do Centro da Polícia Judiciária.