O Bastonário da Ordem dos Médicos avançou esta terça-feira que dentro de três anos, no máximo, todos os portugueses vão ter médico de família, sublinhando a necessidade de implementação de medidas temporárias para resolver o problema no imediato.

Em declarações à agência Lusa, José Manuel Silva, avançou que estão a entrar «mais de 400 jovens por ano na especialidade de medicina geral e familiar», o que fará com que «dentro de três anos, provavelmente, no máximo, todos os cidadãos portugueses terão médicos de família».

Uma comissão de peritos em saúde concluiu que Portugal tem cuidados primários pouco desenvolvidos, uma utilização exagerada dos serviços hospitalares de emergência e trauma e menor capacidade em cuidados de longa duração.

Segundo o relatório «Um Futuro para a Saúde ¿ todos temos um papel a desempenhar», elaborado por peritos nacionais e internacionais, em resposta ao convite da Plataforma Gulbenkian para um Sistema de Saúde Sustentável para construir uma nova visão do Sistema Nacional de Saúde (SNS), «o envelhecimento da população e o aumento das patologias crónicas de longa duração exigem que novos serviços sejam criados».

No entanto, o Bastonário disse à Lusa que esta análise não está correta, considerando que os cuidados de saúde primários no país «estão desenvolvidos», sublinhando que, neste momento, «não existem médicos de família para todos os cidadãos portugueses e isso tem consequências no número de adultos que ocorre às urgências hospitalares».

José Manuel Silva adiantou que a Ordem dos Médicos tem vindo a alertar os responsáveis para a resolução do problema da falta dos médicos de família, insistindo em que sejam contratados as «centenas de médicos de família que se reformaram antecipadamente nos últimos anos por força da crise económica do país».

«Esses médicos podem ser recuperados para o sistema, porque neste momento temos médicos de família suficientes para dar um a todos os cidadãos portugueses. Das zonas mais carenciadas, nem sequer são as zonas mais desfavorecidas do país, como é a região da grande Lisboa, é uma questão do Ministério da Saúde querer contratar esses médicos, e o problema é que não quer», sublinhou.

O bastonário sublinhou que há soluções que podiam ser tomadas e não o são, referindo que «há uma diferença entre o discurso político e a prática, que tem consequências dramáticas para a população e para o país».