A maior parte dos trabalhadores portugueses que permanecerão na base das Lajes já foi colocada em lugares deixados vagos durante a redução do contingente norte-americano, mas mais de 100 continuam a ter dúvidas sobre o posto que irão ocupar.

Desde o dia 11 de setembro já deixaram a base das Lajes, na ilha Terceira, cerca de 140 trabalhadores portugueses, que assinaram rescisões por mútuo acordo, com direito a indemnizações e nalguns casos acesso à reforma.

As saídas ocorrem de forma faseada, de 15 em 15 dias, e até março deverão deixar a infraestrutura militar no concelho da Praia da Vitória, nos Açores, perto de 420 funcionários portugueses, mas cerca de 370 optaram por continuar a trabalhar na base das Lajes.

Pelas contas da Comissão Representativa dos Trabalhadores (CRT), que não tem números oficiais, mais de 250 trabalhadores terão sido recolocados diretamente nos postos deixados vagos, mas segue-se agora um processo "complexo e moroso".

"O objetivo da CRT é que ao chegar ao fim do processo todos os trabalhadores que queiram continuar a trabalhar na base das Lajes assim o possam fazer, que não haja despedimentos involuntários", salientou, em declarações à Lusa, o presidente da CRT, Bruno Nogueira.

Na passada segunda-feira, abriu um concurso interno para o preenchimento de 170 vagas, decorrendo as inscrições até sexta-feira. No entanto, segundo Bruno Nogueira, todos os trabalhadores podem concorrer, mesmo aqueles que, já tendo sido colocados diretamente, procuram uma vaga melhor.

Os trabalhadores que aceitaram assinar rescisões por mútuo acordo tinham, na sua maioria, carreiras longas e ocupavam cargos que exigiam qualificações mais elevadas.

Entre os trabalhadores que não foram colocados diretamente há alguma "ansiedade", até porque há o risco de terem qualificações abaixo das necessidades exigidas nas vagas deixadas livres.

Ainda assim, Bruno Nogueira disse acreditar que existe "boa vontade" por parte dos norte-americanos para integrar todos os funcionários.

"Há esforços que estão ser feitos da parte diplomática, do Governo Regional, do Governo da República e da CRT, no sentido de ajustar algumas estratégias."


Só depois de conhecido o resultado do primeiro concurso de colocações será possível começar a avaliar as necessidades de trabalhadores qualificados e a eventual possibilidade de formação de alguns funcionários.

Na última reunião da Comissão Bilateral Permanente entre Portugal e os Estados Unidos da América (EUA), que ocorreu em Washington, a 16 de junho, os norte-americanos comprometeram-se a alargar de 378 para 405 o número de vagas a manter para trabalhadores portugueses na base das Lajes.

Se até março saírem, de facto, 420 funcionários, com rescisões por mútuo acordo, e se forem integrados os 370 funcionários restantes, ficam ainda por preencher 35 vagas.

Segundo Bruno Nogueira, só quando se completar também a redução de militares será possível avaliar as necessidades de funcionários portugueses e perceber se as 405 vagas propostas pelos Estados Unidos serão suficientes para colmatar as necessidades.

Os militares norte-americanos estão a deixar a base das Lajes também de forma gradual, à medida que vão terminando as suas comissões, estando previstos maiores fluxos de saídas em fevereiro e junho de 2016. O efetivo vai passar 650 para 165 militares.

Quanto às vagas para trabalhadores portugueses que poderão ficar por preencher, depois de concluído o processo de redução, Bruno Nogueira lembrou que a infraestrutura já teve muitos funcionários temporários, que já têm formação e experiência.

Esta sexta-feira volta a deixar a base das Lajes um grupo de trabalhadores que assinaram rescisões por mútuo acordo, mas a CRT não tem informações sobre o número concreto.