Em Coimbra, as cheias foram há três dias, mas não parece. A água não desceu o suficiente e existem ainda várias inundações nas margens do Mondego. Os prejuízos ainda não foram contabilizados. Os autarcas puseram em causa as descargas da Barragem da Aguieira que levaram a esta situação.

Um dos locais inundados é o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, onde documentos históricos poderão ter ficado irremediavelmente perdidos, segundo o repórter da TVI António Crespo. Obras recentes de 16 milhões de euros não chegaram para salvar o mosteiro destas cheias, que ao longo dos 700 anos de existência, já conheceu várias inundações.

Em 2009, as obras permitiram a reabertura deste mosteiro emblemático da cidade e há um piso inferior com documentos e outros artefactos que estão inundados.

As águas também continuam a inundar várias garagens de prédios a 250 metros da margem direita do rio. Algumas garagens têm viaturas dentro, às quais os seus donos não podem ter acesso. Devido a esta limitação, não se consegue avaliar sequer o que está estragado nem o valor dos prejuízos.


“Vivo aqui há 27 anos, não havia aqui prédios nenhuns. É a primeira vez que sobem assim as águas. Estes prédios foram autorizados pela câmara, que devia ter visto isto. Não deviam deixar fazer prédios abaixo do nível do rio”, comentou António, uma das pessoas entrevistadas no local pelo repórter da TVI João Bizarro. 


O nível das águas do rio Mondego continua elevado e as águas chegam a terra através de condutas que foram feitas para escoar.

Os autarcas de Coimbra afetados pelas inundações exigem saber por que razão foram feitas descargas repentinas na Barragem da Aguieira. Apontam o dedo a quem regula o sistema de barragens e pedem explicações urgentes à Agência Portuguesa do Ambiente, entidade com quem a EDP diz ter-se articulado na descarga.

As autarquias dizem não ter sido avisadas atempadamente das descargas. Vinda da Barragem da Aguieira, a água entrou descomedida, terra dentro.
Os presidentes dos quatro municípios do Baixo Mondego afetados pelas cheias no fim de semana exigem a monitorização do caudal do rio e informação sobre os critérios de enchimento e descargas da barragem da Aguieira.

Os presidentes das câmaras municipais de Coimbra, Manuel Machado, da Figueira da Foz, João Ataíde das Neves, de Montemor-o-Velho, Emílio Torrão, e de Soure, Mário Jorge Nunes, “querem saber qual o critério que enquadrou as descargas de água entre a madrugada de 09:00 de janeiro e as 24:00 do dia 11”, disse hoje Manuel Machado, que falava em Coimbra numa conferência de imprensa em que participaram os quatro autarcas.

“É necessário saber também quais os critérios e o plano de gestão, monitorização e fiscalização pela APA [Agência Portuguesa do Ambiente] do processo de armazenamento/enchimento e de descargas de água da barragem da Aguieira”, afirmou o presidente da Câmara de Coimbra.


Os autarcas também querem saber “quais as orientações definidas e fiscalizadas pela APA para os níveis de enchimento, de gestão de caudais e de descarga da bacia do Mondego”, através das barragens da Aguieira e do Alto do Ceira, e, por outro lado, ser “informados sobre o plano de emergência externa da barragem da Aguieira”.

Os municípios “não podem continuar a suportar este tipo de encargos” e “a dar a cara” por problemas pelos quais não são responsáveis, advertiu.