Mais de 60% dos alunos inquiridos para um barómetro da Associação dos Empresários pela Inclusão Social (EPIS) afirmou que há violência entre alunos na escola que frequentam, e mais de 26% confirmam o uso de drogas dentro dos estabelecimentos.

O barómetro EPIS envolveu mais de 23 mil alunos de dezenas de escolas com 3.º ciclo, de norte a sul do país, e traça uma evolução da relação dos alunos com a escola, com a família, assim como da relação da família com a escola entre 2007 e 2012, para além de apresentar uma caracterização socioeconómica de alunos e agregados familiares.

Em 2012, 61,6% dos inquiridos revelou que há violência nas escolas que frequentam, quase mais 1% do que em 2010, mas um pouco abaixo dos 65,5% de 2007.

Apesar da redução em relação a 2007, são ainda 8,9% os alunos que referem haver violência entre estudantes e professores.

Quanto ao uso abusivo de substâncias, este mais do que duplicou em relação a 2007, passando de 24,7% nesse ano, para os 55,5% em 2012. O tabaco mantém-se em relação a 2010 como a substância mais presente nas escolas, referida pela quase totalidade dos inquiridos. Já o álcool teve uma redução para menos de metade, em comparação com os 35,1% de alunos que o mencionavam em 2007, sendo agora apenas referido por 13,6% dos estudantes.

O uso abusivo de drogas, que em 2007 foi apontado por quase 75% dos alunos, foi apenas referido por 26,4% dos estudantes em 2012, que ainda assim representa um acréscimo significativo em relação a 2010, quando foi mencionado por 18,5%.

O comunicado do barómetro EPIS refere ainda que os dados apontam para «um maior consumo de drogas em meio urbano e de álcool em meio rural».

«Estes resultados confirmam que o uso de substâncias é e deve continuar a ser uma das matérias de maior atenção por parte dos pais e dos recursos humanos das escolas. O combate ao tabagismo, ao consumo de álcool e de drogas deve ser permanente», lê-se no comunicado.

O barómetro revela ainda que a maioria dos alunos inquiridos ¿ cerca de 83% - tem encarregados de educação com habilitações entre os quatro e os 12 anos de escolaridade.

Outro dado de destaque no barómetro EPIS é a percentagem de alunos que indica que entre 2010 e 2012 o rendimento da sua família foi afetado por situações de desemprego, com mais de 80% dos inquiridos a responderem afirmativamente a esta questão.

São quase 10% os alunos que admitem que em 2010 os rendimentos familiares provinham de subsídios e assistência social.

Por outro lado, e apesar das dificuldades financeiras apontadas, diminuíram em quase 10% a percentagem de alunos que admite beneficiar de ação social escolar ¿59,1% admitiam esta situação em 2010, e 51,8% em 2012.

O barómetro EPIS admite o agravamento do acesso à ação social escolar em 2013 e nos anos seguintes.

«Estas são más notícias e poderão ter o seu reflexo na qualidade dos resultados escolares dos próximos anos», refere-se no comunicado do barómetro.

A associação EPIS foi criada em 2006, na sequência de um apelo feito pelo Presidente da República à sociedade civil, no seu discurso por ocasião das comemorações do 25 de Abril, e escolheu a educação com o foco da sua ação.