O presidente da junta de freguesia de Vialonga, uma das mais afetadas pelo surto de legionella, revelou hoje que a autarquia irá apoiar, através do gabinete jurídico, todas as famílias que queiram recorrer à justiça.

«Quando surgir algo mais concreto vamos reunir as pessoas e, através do nosso gabinete, iremos prestar todo o apoio jurídico a quem decidir mover alguma ação judicial. Como sabemos, existem famílias que não têm uma situação económica que lhes permita fazê-lo pelos seus próprios meios», afirmou à agência Lusa o presidente da junta de freguesia de Vialonga, José Gomes.

O autarca referiu ainda que a junta de freguesia está a disponibilizar apoio e acompanhamento a todas as famílias.

Por seu turno, também em declarações à Lusa, um amigo da primeira vítima mortal do surto de legionella, um antigo bombeiro da corporação de Vialonga, de 59 anos, adiantou que os familiares não ponderam, para já, agir judicialmente.

«Eu falei com o genro e, para já, não é prioridade deles ir para os tribunais», disse à agência Lusa referiu Luís Rodrigues.

A Lusa contactou igualmente o presidente da União de freguesias da Póvoa de Santa Iria e do Forte da Casa, outra das localidades afetadas pelo surto, mas o autarca referiu que, até ao momento, ainda não tinha recebido qualquer solicitação ou pedido de ajuda.

A bactéria legionella, que provoca pneumonias graves e pode ser mortal, foi detetada na sexta-feira, dia 07, no concelho de Vila Franca de Xira, tendo provocado até terça-feira ao final do dia 278 casos de infeção e cinco mortes.

Também na terça-feira, o ministro do Ambiente anunciou uma ação inspetiva extraordinária à empresa Adubos de Portugal, em Vila Franca de Xira, para averiguar um eventual crime ambiental «por libertação de microrganismos para o meio ambiente».

A Direção Geral de Saúde de Portugal esclareceu que as investigações para determinar a fonte de contaminação decorrem «em estreita colaboração entre os ministérios da Saúde e do Ambiente».

A legionella transmite-se por inalação de gotículas de vapor de água contaminada (aerossóis) de dimensões tão pequenas que transportam a bactéria para os pulmões, depositando-a nos alvéolos pulmonares.