Um homem condenado por violência doméstica, que começou esta terça-feira a ser julgado no tribunal de Aveiro pelo mesmo crime, negou as agressões sobre a companheira e uma filha menor.

Perante o coletivo de juízes, o arguido, de 40 anos, admitiu apenas ter proferido algumas injúrias à mulher, atribuindo o seu comportamento aos ciúmes e ao facto de andar nervoso com o trabalho.
 

"Com o sistema nervoso (alterado), digo tudo e mais alguma coisa", afirmou o arguido, adiantando ainda que a mulher o perdoou e que "as coisas agora estão a correr melhor".


Questionado pela juíza presidente, o arguido garantiu ainda que não estava alcoolizado tal como consta na acusação. "O vinho cortei por completo. Só bebo um pouco às refeições", afirmou.

Por sua vez, a mulher e a filha confirmaram as agressões de que tinham sido alvo, mas disseram que, nos últimos tempos, houve uma melhoria no comportamento do arguido.

O homem é suspeito de agredir a mulher e uma filha de 17 anos, poucos meses depois de ter sido condenado pelo Tribunal de Águeda a uma pena suspensa de três anos e meio de prisão, por violência domestica e detenção de arma proibida.
 

"Apesar de tal condenação e de ainda estar a decorrer o período de suspensão da execução da pena de prisão, o arguido persistiu em ingerir bebidas alcoólicas em excesso e em praticar factos na pessoa das ofendidas, idênticos àqueles pelos quais tinha sido condenado", diz o Ministério Público (MP).


No despacho de acusação, o MP relata vários episódios de violência que ocorreram no interior da residência familiar, em Águeda, em 2014 e 2015.

A situação mais grave terá acontecido na noite de 24 de março de 2015, quando o arguido agrediu a companheira e a filha, que se tinha colocado entre os pais para evitar que aquele continuasse a bater na mãe.

O MP diz ainda que o arguido chegou a exibir uma faca de matar porcos à mulher para a atemorizar e ameaçou várias vezes tirar-lhe as filhas.

O arguido está acusado por dois crimes de violência domestica agravada.