O Tribunal de Aveiro começou hoje a julgar um homem acusado de ter tentado matar a ex-companheira e um vizinho desta, por motivos passionais.

Os factos remontam ao passado dia 08 de abril, quando o detido se deslocou ao prédio onde a ex-companheira vivia, na Forca-Vouga, em Aveiro, levando consigo uma arma e uma mochila contendo cordas, x-atos e combustível.

Sem conseguir entrar no apartamento, o homem disparou mais de uma dezena de tiros de revólver contra a porta e ainda baleou um morador que o surpreendeu, quando descia as escadas.

O autor dos disparos fugiu do local a pé, mas poucos metros à frente foi detido pela PSP que o entregou à Polícia Judiciária.

Durante o julgamento, o arguido confessou todos os factos que constam da acusação, mas assegurou que nunca teve intenção de matar ninguém.

«Estava nervoso e a chorar», afirmou o arguido, assumindo que andava «tresloucado» após a ex-namorada ter posto fim ao relacionamento, que durava há cerca de seis anos.

O arguido referiu ainda que o disparo que atingiu o vizinho da sua ex-companheira na zona da virilha foi «acidental». «Ele tentou agarrar-me quando estava a descer as escadas e bateu com a mão na arma e esta disparou», explicou.

Na mesma sessão, o tribunal ouviu a ex-namorada do arguido, que optou por depor sem a presença do acusado na sala de audiências.

«Ele sempre foi muito agressivo», afirmou a testemunha, lembrando que antes deste caso já tinha sido agredida com murros e pontapés, no seu local de trabalho, o que a levou a apresentar queixa na PSP.

A testemunha afirmou ainda que o ex-namorado nunca aceitou o fim do relacionamento e chegou a ameaçá-la de morte várias vezes.

«Só quando as pessoas matam é que fazem alguma coisa. Estou aqui hoje, porque a porta era blindada», afirmou a testemunha, mostrando-se descontente com a justiça.

O detido, que se encontra em prisão preventiva, está acusado por dois crimes de homicídio qualificado na forma tentada, detenção de arma proibida e violência doméstica.