O proprietário da primeira «smartshop» a abrir em Portugal, em 2007, vai começar a ser julgado no Tribunal de Aveiro no próximo mês de junho, num processo em que é acusado de tráfico de estupefacientes, disse hoje fonte judicial.

O julgamento chegou a estar marcado para fevereiro de 2012, mas foi adiado para que fossem realizadas perícias para determinar, entre outras coisas, a quantidade de princípio ativo de cada um dos produtos apreendidos na loja.

Segundo a advogada Maria Manuel Candal, que defende Carlos Marabuto, o dono da "smartshop", os resultados dos exames periciais solicitados pela defesa só chegaram este ano.

Carlos Marabuto foi detido pela Polícia Judiciária (PJ) de Aveiro em 2007, cerca de meio ano depois da abertura ao público da loja «Cogumelo Mágico», que anunciava ser a primeira loja de droga «legal» do país.

A detenção do empresário ocorreu depois de uma busca ao estabelecimento, que levou à apreensão de produtos alegadamente contendo substâncias proibidas.

Posteriormente, o empresário foi despronunciado pelo Juízo de Instrução Criminal de Aveiro, mas o Tribunal da Relação de Coimbra deu razão ao recurso interposto pelo Ministério Público (MP) e mandou o processo seguir para a fase de julgamento.

O «Cogumelo Mágico» abriu ao público em 2007, no Centro Comercial Oita, em Aveiro.

Na altura, Carlos Marabuto explicou que estudou «a fundo» a legislação portuguesa antes de abrir o estabelecimento licenciado para comércio de produtos naturais.

No «Cogumelo Mágico» eram comercializados produtos naturais contendo substâncias alucinogénicas, o que Carlos Marabuto justificava por alegadamente não figurarem na lista de produtos proibidos pelas leis portuguesas.

A loja, que, atualmente, ainda se mantém aberta ao público, encontra-se em liquidação total, desde que foi aprovado o diploma que proibiu a venda de 160 novas substâncias psicoativas.