O empresário de Aveiro acusado de matar o companheiro da ex-mulher e de também a tentar matar, em Mira, disse hoje, na primeira sessão do julgamento no Tribunal de Coimbra, que a arma disparou sozinha.

O empresário de 68 anos, a viver na freguesia de Esgueira, concelho de Aveiro, é acusado pelo Ministério Público de crime de homicídio qualificado, crime de homicídio qualificado na forma tentada e crime de detenção de arma proibida.

Na primeira sessão do julgamento, o arguido contou que se deslocou à casa da ex-mulher e do companheiro da ex-mulher a 18 de agosto de 2013 para resolver problemas relacionados com os seus bens, que estavam em nome da mulher da qual se separou em 2009.

«Fui a Mira para falar com ela. Não fui com a ideia de matar ninguém nem de ferir ninguém», disse o empresário, referindo que levou a arma e deu um primeiro tiro «apenas para assustar e resolver o problema».

Segundo o arguido, após um primeiro tiro direcionado para o «tablier» do carro, o companheiro da ex-mulher tirou-lhe a arma, tentou disparar contra ele, «mas a arma não disparou».

De seguida, os dois homens agrediram-se, «a arma ficou desgovernada no chão do jardim e depois deu-se o momento em que a arma disparou», contou.

A arma «disparou sozinha. Foi um acidente», sublinhou.

«Uma arma não pode estar desgovernada. Explique como uma arma dispara, porque uma arma não dispara sozinha», afirmou um dos juízes do coletivo, João Ferreira, salientando também que nas imagens recolhidas no sistema de videovigilância são poucos os momentos em que o arguido «não tem a arma na mão».

O arguido voltou atrás no depoimento, referindo que a arma disparou «quando caiu», ao que o juiz observou que «agora a arma já dispara quando cai e há pouco dizia que não estava desgovernada», frisando que a arma disparar daquela forma «não é possível».

Durante a audiência, o empresário também referiu diferentes horas de chegada à casa da ex-mulher, apontando primeiro para as «18:00» e de seguida para as «19:30», variando também no tempo que esteve à espera da chegada da ex-mulher, dizendo inicialmente que terá sido «hora e meia», para depois contar que esteve à espera «apenas meia hora».

Os alegados crimes ocorreram a 18 de agosto de 2013, dia do casamento do filho do empresário, tendo o companheiro da ex-mulher falecido no local.