Duas sindicalistas atropeladas pelo administrador de um supermercado em Famalicão quando integravam um piquete de greve, em 2010, processaram quatro estruturas sindicais, exigindo-lhes o pagamento das despesas que tiveram com o processo judicial movido contra o agressor.

Fonte ligada ao processo disse esta quarta-feira à Lusa que já deu entrada no Tribunal de Vila Nova de Famalicão uma ação declarativa de condenação contra a União dos Sindicatos do Distrito de Braga, a CGTP, o Sindicato Têxtil do Minho e Trás-os-Montes e a Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores Têxteis, Lanifícios, Vestuário, Calçado e Peles de Portugal (Fesete), reivindicando o pagamento solidário de 6.955 euros.

Uma das arguidas pagou 4.305 euros de honorários ao advogado e a outra 2.650 euros.

As duas querem ser ressarcidas desses valores por parte das quatro estruturas sindicais referidas, considerando que foi isso que ficou assente quando avançaram com o processo judicial.

Na ata da reunião de 5 de janeiro de 2010 da União de Sindicatos de Braga, então presidida por Adão Mendes, está escrito que os «custos» do processo serão repartidos por aquele organismo, pelo Sindicato Têxtil e pela Fesete.

O processo agora movido pelas duas dirigentes sindicalistas, que entretanto abandonaram funções, abrange também a CGTP, já que a greve em questão foi promovida por esta central sindical.

No entanto, estas quatro estruturas recusaram-se a pagar, tendo as duas sindicalistas liquidado a dívida com os advogados a expensas próprias.

«Fomos burladas pelos sindicatos», referem, num documento junto ao processo, a que a Lusa teve acesso.

Contactado pela Lusa, o atual coordenador da União de Sindicatos de Braga, Joaquim Daniel, admitiu que o que «terá ficado acordado» é que os sindicatos pagariam as custas judiciais, ficando os honorários a cargo das duas sindicalistas.

«O grande problema é que não há nada escrito em relação a isto», acrescentando, sublinhando a necessidade de se aguardar «com serenidade» pelo julgamento.

Os factos remontam a 24 de novembro de 2010, dia de greve geral, quando um piquete de greve se encontrava à entrada do parque exterior de um supermercado em Calendário, Famalicão.

Segundo uma decisão judicial, o então administrador da superfície comercial, que surgiu ao volante de um automóvel ¿de grande porte¿ e a uma ¿velocidade excessiva para o local¿, apontou o veículo na direção do piquete e atingiu duas sindicalistas.

Estas tiveram de receber assistência hospitalar, sofrendo lesões que determinaram quatro dias de doença para uma e 155 para a outra.

Segundo o tribunal, o arguido atuou «de forma desleal e traiçoeira, com cobardia e desumanidade» e ainda com «desprezo» pelas vítimas.

O arguido foi condenado, pelo Tribunal de Famalicão, a três anos de prisão, com pena suspensa, ficando a suspensão da pena condicionada à entrega de 1.500 euros a associações de bombeiros de Famalicão.

O tribunal fixou ainda indemnizações às duas sindicalistas que, no total, ascendem a mais de 16.500 euros.