A circulação de comboios na Linha da Beira Alta regista atrasos, desde há três meses, devido a obras por danos graves causados em maio por um descarrilamento, disse hoje à Lusa uma fonte da CP.

«A existência de condicionamentos de velocidade em alguns troços desta linha tem contribuído para a dificuldade de cumprir os horários estabelecidos», afirmou uma fonte do Gabinete de Comunicação Institucional da Comboios de Portugal (CP).

Estes condicionamentos «determinados pelo gestor da infraestrutura» resultam, designadamente, da «necessidade de intervenções na linha» por parte da Rede Ferroviária Nacional (Refer).

«A CP tem vindo a desenvolver todos os esforços para minimizar estes atrasos, no âmbito da logística da operação» e, sempre que possível, para «minimizar atrasos» à partida da Guarda, «recorre à colocação de comboios adicionais nessa estação para fazerem a viagem de regresso», no sentido da Pampilhosa e de Coimbra, adiantou Ana Portela, diretora daquele gabinete.

Assim, a CP «procura recuperar o tempo despendido em manobras para inversão da marcha do comboio que acabou de chegar» à Guarda, o qual, «numa situação regular, seria o utilizado para a viagem de regresso», explicou.

«Muitas vezes», nos períodos em que a procura aumenta, como nos meses de verão, «tal situação não é viável, uma vez que não existe material suficiente para este reforço de utilização».

Na Linha da Beira Alta, os níveis de crescimento da procura, nomeadamente em comboios Intercidades, «são inferiores aos registados em outras linhas com o mesmo serviço, facto que poderá ser influenciado pelos problemas decorrentes das atuais dificuldades de cumprimentos dos horários», admitiu Ana Portela.

Em média, disse, «não se registam ainda reduções» da procura naquela linha, num momento em que a CP regista, «a nível nacional e nos vários serviços, crescimento do número de passageiros a bordo dos comboios» da transportadora ferroviária.

Por seu turno, o serviço de Comunicação e Imagem da Refer remeteu para mais tarde outros esclarecimentos sobre a intervenção em curso na Linha da Beira Alta.

O descarrilamento de um comboio de mercadorias, no dia 15 de maio, causou graves danos na ferrovia, na zona do Luso, numa extensão de seis quilómetros que inclui três pontes, levando ao encerramento da linha, entre Mortágua e Pampilhosa, durante quatro dias.

Um dos 19 vagões da composição, que transportava bobinas de papel e circulava no sentido Vilar Formoso - Pampilhosa, descarrilou próximo do apeadeiro do Luso ¿ Buçaço e «foi destruindo a via num trajeto de seis quilómetros», disse na ocasião à Lusa uma fonte da Refer.