Os pais da jovem portuguesa dada como desaparecida em Barcelona, no âmbito do ataque terrorista de quinta-feira, foram chamados pelas autoridades espanholas para verificarem a identidade de uma das vítimas no Instituto Forense. A informação foi avançada à Lusa pelo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro.

As autoridades espanholas acabam de chamar os pais da jovem que até agora não se tinha encontrado, para o Instituto Forense, no sentido de verificarem, se no conjunto das vítimas mortais, se encontra essa jovem”.

O governante disse que as autoridades espanholas solicitaram a Portugal “o envio das respetivas impressões digitais, depois das diligências feitas, esta tarde, junto dos hospitais, onde não foi possível encontrar a jovem entre os feridos”.

Segundo o secretário de Estado, “tudo leva a crer que a jovem esteja entre as vítimas mortais”.

José Luís Carneiro afirmou que, nas listagens oficiais dos feridos, divulgadas pelas autoridades espanholas, até às 20:20 de hoje, “não aparece o nome de qualquer português”, ressalvando que “pode haver pessoas feridas que não tenham pedido apoio nem se tenham dirigido para as unidades hospitalares”.

O governante afirmou que está confirmada uma morte, de uma mulher, de 74 anos, que residia na área da Grande Lisboa, avó da jovem até agora dada como desaparecida.

Relativamente ao repatriamento do corpo da cidadã portuguesa, o secretário de Estado afirmou que o Governo instruiu o consulado de Portugal na capital catalã, para não cobrar qualquer taxa consular e disponibilizarem toda a documentação necessária e fazer o acompanhamento das famílias.

O Presidente da República fez, pelas 20:30, a prometida declaração ao país, mas não falou diretamente sobre a hipótese de a neta da mulher estar entre as vítimas mortais.

Foram dezenas de nacionalidades, quer em mortos, quer em feridos. Compreender-se-á que a minha palavra de hoje, que explica o nosso encontro, se dirija para a família portuguesa atingida por este atentado. Uma cidadã portuguesa, de 74 anos, morreu no atentado. Uma neta sua que estava dada como desaparecida e se cruzavam informações para saber do seu paradeiro. 

 

Queria exprimir esta família, já tive ocasião de o fazer, falei ao longo do dia com um dos membros da família que foi de propósito a Barcelona e tive ocasião de dizer o que está no coração de todos os portugueses, que o acompanhamos e à sua mulher neste momento doloroso. Haver vítimas portuguesas do terrorismo em Barcelona acrescenta mais dor à nossa dor".

Marcelo Rebelo de Sousa indicou que a família é de emigrante portugueses.

O chefe de Estado também disse aos jornalistas, a partir do Algarve, que demonstrou "pesar" às autoridades finlandesas, via telefone, pelo ataque ocorrido já hoje, sexta-feira, na Finlândia.

Sobre o facto de o Governo considerar que não se justifica alterar o nível de risco de Portugal, em termos de terrorismo, o Presidente da República acompanha António Costa.

Há em Portugal dispositivos de segurança e não há razões para alterar aquilo que é a situação vivida até aos atentados de Barcelona e na Finlândia. Agora, há razões para nós percebermos que não pode haver complacência em relação ao terrorismo, nem pacto, nem negociação. Tem de haver segurança dos cidadãos, cultura democrática e humanista. Não nos podemos deixar derrotar"