O presidente da Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR), César Nogueira, começou esta sexta-feira a cumprir 25 dias de suspensão, em resultado de uma situação que a direção da APG/GNR classifica de «inadmissível em democracia».

Os 25 dias de suspensão a cumprir por César Nogueira, com perda de vencimento e suplementos remuneratórios, resultam de duas sanções aplicadas ao dirigente da APG/GNR, uma de 10 dias de suspensão e outra de 15, indica a associação.

«Não está em causa o incumprimento de qualquer dever profissional, apenas declarações à imprensa proferidas na qualidade de presidente da APG/GNR, em que foram denunciadas situações relacionadas com as condições de serviço dos profissionais e proferidas opiniões sobre um processo de restruturação das polícias que nunca se veio a concretizar», contesta a APG/GNR.

A APG sublinha que, em momento algum foi colocada em causa a imagem da Instituição, mas que o Comandante-geral da GNR que cessou funções entendeu que, por esta via, «podia silenciar» quem assumiu o compromisso de «dar voz e rosto» à defesa dos direitos dos profissionais da GNR.

Considerando estar em causa o direito à liberdade de expressão, a associação diz ser «intolerável» que, volvidos 40 anos sobre o 25 de Abril, sejam instaurados processos ao presidente da maior associação profissional da GNR, «única e exclusivamente por honrar o compromisso» que assumiu quando foi eleito pelos associados.

A APG alerta que este caso representa um «retrocesso civilizacional de mais de uma década, em que os dirigentes da APG/GNR eram punidos e perseguidos cada vez que se posicionavam em defesa daqueles que representavam», recordando que tais punições não ditaram o fim do associativismo profissional na GNR, antes «impulsionaram» a sua implementação e crescimento.

«A APG/GNR e o seu presidente não permitirão que estes processos persecutórios bulam com o espírito reivindicativo desta associação, que continuará a defender os profissionais da GNR com a mesma determinação e empenho de sempre, animada pela justeza das suas lutas», assegura a associação, em comunicado, apelando à unidade e solidariedade da classe.