As associações de pais defenderam hoje que a mudança da avaliação do ensino básico a meio do ano letivo é uma decisão “inoportuna e precipitada” e entendem que manter exames no 9.º ano devia “estar sujeito a reflexão”.

“Fica-nos alguma surpresa pelo facto de as provas de aferição serem já implementadas este ano. Defendemos a estabilidade da organização do ano letivo. Parece-nos inoportuno e um pouco precipitado que se implemente desde já estas medidas”, disse à Lusa o presidente da Confederação Nacional de Associações de Pais (Confap), Jorge Ascensão.

A Confap, que lembrou ter sido sempre crítica do modelo anterior “pela sua complexidade, pelas provas feitas na base da desconfiança e pela carga excessiva colocada nessas provas”, espera que do novo modelo, que assenta em provas de aferição a meio dos ciclos do ensino básico, resultem “consequências eficazes e um plano de melhoria das aprendizagens”.

“Vamos aguardar para saber que medidas serão tomadas. É preciso agir de forma adequada sobre os pontos críticos identificados”, disse o presidente da Confap.

Jorge Ascensão disse também esperar que a eliminação do peso nas notas dos alunos decorrente do caráter de aferição das provas não leve a uma desvalorização da sua importância.

O responsável destacou ainda como pontos positivos que estas passem a decorrer no fim do ano letivo, e até mesmo fora do período de aulas, assim como o objetivo de ser dada às escolas e aos pais informação detalhada sobre os resultados.

Pela negativa, Jorge Ascensão lamentou que o novo modelo de avaliação exclua o exame de inglês de Cambridge, que o Ministério da Educação já declarou suspenso, uma vez que entende que era uma forma democrática e acessível de todos os alunos terem acesso a uma certificação internacional da sua proficiência linguística, e que agora voltará apenas a estar disponíveis para os agregados familiares de mais rendimentos, que podem pagar a frequência de escolas particulares de línguas onde estes certificados estão disponíveis.

“Não entendemos a decisão, achamos que cria alguma discriminação social”, criticou.

Do lado da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE), a presidente Isabel Gregório disse à Lusa que a confederação se congratula com a decisão, mas entende que “manter os exames do 9.º ano devia estar sujeito a alguma reflexão”.

Já em momentos anteriores a CNIPE tinha manifestado a sua oposição à existência de exames no ensino básico, defendendo que a ponderação que lhes é atribuída na nota final pode representar a diferença entre passar ou reprovar à disciplina, ou até mesmo o ano.

A CNIPE remeteu uma posição mais aprofundada sobre o novo modelo de avaliação para um momento posterior, quando souber mais detalhes sobre tudo o que vai mudar.

O Ministério da Educação decidiu aplicar provas de aferição no 2.º, no 5.º e no 8.º ano de escolaridade e manter a prova final no 9.º ano, foi hoje anunciado.