A AMI Portugal vai enviar duas equipas para a Grécia e para a Itália com o objetivo de estudar qual a melhor ajuda perante o fenómeno migratório e a crise dos refugiados.

Em comunicado, a AMI dá conta de que vai enviar dia 24 de setembro [quinta-feira], duas equipas, num total de seis elementos, para Kos, na Grécia, e Lampedusa, em Itália.

“O objetivo desta missão humanitária é estudar 'in loco' e em conjunto com as autoridades e ONG [Organizações não-Governamentais] locais, o tipo de ajuda que pode ser prestada face ao fenómeno migratório que tem origem em África e no Médio Oriente”, adianta a AMI.


Para a realização desta missão, a AMI está a aceitar donativos, que podem ser depositados na conta da organização, entregues através das plataformas de angariação de fundos online, ou por pagamento nas caixas multibanco.

A AMI justifica esta missão com o facto de estas duas ilhas, Kos e Lampedusa, serem “as duas maiores portas de entrada para a Europa, naquela que é uma das mais graves crises humanitárias na Europa desde o final da II Guerra Mundial”.

“Recorde-se que a AMI tem uma longa história e experiência com refugiados em dezenas de países. Nomeadamente na zona do Médio Oriente, tendo já atuado no Iraque, Irão, Líbano, Jordânia ou Paquistão sem esquecer África (Sudão/Darfur, Ruanda, Chade, Etiópia e Somália)”, lê-se no documento.

A organização aproveita para sublinhar que o trabalho direto junto de quem mais precisa é apenas uma das vertentes da sua atuação, apontando que também está preparada para apoiar e orientar as pessoas refugiadas que cheguem a Portugal, trabalhando, ao mesmo tempo, para a fixação das populações locais, nomeadamente em África.
 

Grupo de apoio aos refugiados em Lisboa reúne-se na terça-feira


O grupo de trabalho de apoio aos refugiados em Lisboa, constituído por Juntas de Freguesia, deputados municipais e pelo vereador dos Direitos Sociais do município, reúne-se pela primeira vez na terça-feira, para preparar as próximas ações a desenvolver.

Esta será uma “reunião em aberto para perceber o que as pessoas [entidades envolvidas] acham” sobre que o poderá ser feito, ao nível do município, na receção e integração dos refugiados, explicou à agência Lusa a presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, Helena Roseta.

O encontro surge na sequência da aprovação, na passada semana, de uma moção do PSD sugerindo a criação de um grupo de trabalho composto por representantes de todos os agrupamentos políticos para definir “atividades que levem ao despertar de consciência, angariação de fundos e encontro dos necessários enquadramentos para a instalação do maior número de refugiados possível”.

“Como não foi definido quem vai constituir o grupo de trabalho, eu, como presidente, tomo iniciativa de convocar as Juntas e os grupos municipais”, acrescentou Helena Roseta.

A também líder dos Cidadãos por Lisboa (movimento independente eleito nas listas socialistas) sublinhou que as autarquias também compõem o Estado, tendo obrigação no acolhimento dos refugiados.

Antes do encontro, que visa ainda fazer um ponto de situação sobre as iniciativas municipais em curso e que se realiza às 18:00 no Fórum Lisboa – onde ocorrem as reuniões da Assembleia Municipal –, Helena Roseta irá reunir-se com o Conselho Português para os Refugiados e com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).

“Nós [Portugal] não temos pressão nas nossas fronteiras, mas certamente iremos receber uma parte dos refugiados, via ACNUR, pelo que esta reunião vai ser importante para perceber com o que poderemos contar”, adiantou Helena Roseta.

Em declarações à Lusa, o vereador dos Direitos Sociais, João Afonso, considerou que este é “um momento de convergência, de debate, entre as diversas entidades que constituem o espetro político da cidade de Lisboa”, adiantando que a Câmara “está a definir um programa de acolhimento para os refugiados”.

Na semana passada, a Assembleia Municipal aprovou uma moção apresentada pelo PCP com o intuito de expressar a solidariedade dos deputados municipais “aos povos vítimas da ingerência e agressão externa […] e aos povos vítimas de exploração e de saque dos recursos naturais e de negação dos seus mais básicos direitos económicos e sociais”.

Na ocasião, foi ainda aprovada uma moção do BE que declarava “o empenho e disponibilidade para fazer parte da solução, nomeadamente apelando à criação de uma rede de cidades-refúgio”.

O BE apresentou também uma recomendação à Câmara propondo a criação de bolsas de estudo ou apoios sociais para refugiados.

Antes, já havia sido aprovada uma moção assinada por Helena Roseta e pelo deputado municipal José Leitão apelando à “constituição de uma ‘Plataforma Alargada para o Acolhimento e Integração de Refugiados em Portugal’”, constituída por entidades municipais, públicas e estatais.

Tinha sido ainda aprovada uma recomendação do PEV para instar “o Governo para que pugne pela sensibilização positiva da opinião pública face ao flagelo das migrações e dos refugiados”.