O Ministério Público abriu cinco inquéritos relacionados com a manifestação das forças de segurança realizada a 06 de março, junto à Assembleia da República, com base em participações apresentadas pela PSP, informou esta segunda-feira a Procuradoria-Geral da República.

«Foram instaurados cinco inquéritos com origem em participações apresentadas pela PSP», comunicou a Procuradoria, em resposta à agência Lusa.

Na passada quarta-feira, o Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa avançou à Lusa que estava a analisar os elementos de que dispunha sobre a manifestação das forças de segurança, realizada a 06 de março, nomeadamente imagens recolhidas pela PSP, para decidir se abria, ou não, inquérito.

A Comissão Nacional de Proteção Dados autorizou a PSP a filmar a manifestação dos elementos das forças e serviços de segurança que se realizou na passada quinta-feira, entre o Marquês de Pombal e a Assembleia da República, em Lisboa, tendo as imagens sido enviadas para o Ministério Público.

Milhares de elementos das forças e serviços de segurança voltaram, no dia 06 de março, a manifestar-se em Lisboa contra os cortes salariais e o congelamento das carreiras, protesto considerado o maior de sempre e que contou com um forte dispositivo policial.

O protesto foi promovido pela Comissão Coordenadora Permanente (CCP) dos Sindicatos e Associações dos Profissionais das Forças e Serviços de Segurança, estrutura que congrega os sindicatos mais representativos da GNR, PSP, ASAE, SEF, Guarda Prisional e Polícia Marítima, contra os cortes nos vencimentos das forças de segurança.

Na manifestação, a tensão foi elevada, tendo os manifestantes conseguido invadir uma parte da escadaria da Assembleia, mas um novo reforço policial acabou por conseguir empurrar os manifestantes para a base da escadaria.

Dez feridos, seis polícias e quatro manifestantes, e dois elementos do corpo da guarda prisional identificados pela Polícia por desacatos foi o resultado da manifestação.

A manifestação de 06 de março realizou-se mais de três meses após o protesto de novembro, que terminou com a invasão das escadarias da Assembleia da República, em Lisboa, e a demissão do diretor nacional da PSP.

Os incidentes de 21 de novembro deram origem à abertura de inquéritos, que se encontram em curso.