Funcionários da Câmara de Matosinhos confirmaram esta quarta-feira, em tribunal, que o carro do ex-autarca Narciso Miranda foi assaltado e lhe roubaram um `smartphone´, num julgamento em que é acusado de simular o furto do aparelho e abuso de confiança.

As testemunhas relataram que em novembro de 2010, após terem almoçado todos juntos num restaurante no concelho de Matosinhos, se aperceberam de que o vidro do carro de Narciso Miranda estava partido, tendo-lhe sido roubado um `smartphone´, óculos e um casaco.

O antigo autarca de Matosinhos está acusado, enquanto presidente da Associação de Socorros Mútuos de S. Mamede Infesta (ASMSMI), de abuso de confiança, simulação de crime (roubo do `smartphone´ para receber modelo mais recente), peculato e participação em negócio.

Segundo a acusação, enquanto desempenhava funções de presidente do Conselho de Administração da associação mutualista, Narciso Miranda terá adjudicado serviços a empresas de que faziam parte familiares, alguns deles de forma «ilegal» ou nunca realizados.

Uma das filhas de Narciso Miranda e um ex-sócio também são arguidos no processo por, alegadamente, terem participado no esquema que lesou, em mais de 70.000 euros, a associação mutualista.

Os funcionários da autarquia frisaram que, quando se aperceberam do roubo, as pessoas comentaram que havia “ali na zona” uma vaga de furtos.

Esta versão foi, igualmente, atestada pelo dono do restaurante onde os funcionários e o ex-presidente da câmara almoçaram.

A diretora de serviços da associação, que saiu em 2011, referiu que o `smartphone´ roubado ao ex-autarca foi comprado pela mutualista e, por isso, atribuíram-lhe um novo.

A contratualização de empresas externas foi justificada pela ex-funcionária da associação pela “necessidade de melhorar o quadro clínico”.

Segundo esta testemunha, a seleção era feita pelo preço mais baixo e o nome do ex-sócio de Narciso Miranda, com ligações a essas empresas, não era falado.

Uma inspetora da Polícia Judiciária (PJ) envolvida na investigação adiantou que o ex-sócio de Narciso Miranda tinha ligações às empresas contratadas pela associação mutualista.

Por seu lado, um outro inspetor referiu que, numa das buscas a uma empresa, cuja sede era em Paredes, distrito do Porto, «não havia indícios de que lá funcionava», apesar de corresponder à morada.

Em primeira audiência de julgamento, Narciso Miranda não prestou declarações ao coletivo de juízes, mas garantiu faze-lo «mais tarde».

A filha falou para dizer que não sabia nada sobre os factos que lhe são imputados e o ex-sócio do autarca confessou a acusação e assumiu ter sido o «único» beneficiário.

A audiência de julgamento prossegue a 03 de dezembro, pelas 09:30.