Os quatro homens suspeitos de terem assaltado em março passado uma ourivesaria em Aveiro confessaram esta quarta-feira em tribunal que cometeram o crime para arranjar dinheiro para voltar ao seu país de origem, a Moldávia.

Na primeira sessão do julgamento, que decorreu no tribunal de Aveiro, os arguidos contaram que vieram para Portugal com uma promessa de trabalho que não foi cumprida.

Perante o coletivo de juízes, os suspeitos admitiram que resolveram assaltar a ourivesaria, porque não tinham dinheiro para comer ou fazer a viagem de volta para a Moldávia.

Os quatro indivíduos, com idades entre os 24 e 35 anos, disseram ainda estar arrependidos e pediram desculpa às vítimas.

Os factos ocorreram na madrugada de 19 de março de 2014, quando os arguidos, residentes em Braga, viajaram até Aveiro, num Mercedes de matrícula espanhola, para assaltar uma ourivesaria localizada no centro da cidade.

Os arguidos estão acusados, pelo Ministério Público (MP), de um crime de furto simples e outro de furto qualificado. O arguido mais velho responde ainda por um crime de falsificação de documento, já que usava um passaporte falso.

Segundo a acusação do MP, os assaltantes furtaram um automóvel que se encontrava estacionado nas imediações da ourivesaria e utilizaram este veículo para arrancar o gradeamento de proteção da montra e entrar no estabelecimento.

No interior da ourivesaria, os suspeitos partiram diversas vitrinas, de onde retiraram artigos em ouro e prata e relógios, no valor global de quase 48 mil euros.

Consumado o assalto, os suspeitos colocaram-se em fuga e, posteriormente, abandonaram a viatura furtada, regressando no Mercedes a Braga.

O grupo veio a ser detido pela Polícia Judiciária (PJ) na manhã a seguir ao assalto, na posse dos objetos roubados.

Na altura da detenção, a PJ referiu que os detidos tinham-se instalado há cerca de um mês no norte de Portugal e "demonstravam já uma grande mobilidade nacional, procedendo a prévio estudo dos alvos a furtar".

Segundo a polícia, os assaltantes dedicavam-se ao furto de ourivesarias, usando veículos automóveis furtados, havendo suspeitas de que os mesmos tivessem atividade delituosa idêntica em outros países europeus, particularmente em Espanha.

Nesta operação, a PJ contou com a colaboração das autoridades policiais espanholas, na troca de informação relativa àquele "grupo criminoso".

Os arguidos encontram-se em prisão preventiva e dois deles não têm autorização de permanência em território nacional.