«Temos uma investigação de qualidade, mas estamos sem futuro à vista. Não sabemos quando vão abrir concursos, com que montantes. Isto é verdade para a saúde e para outras áreas. O impacto da saúde é que é um pouco maior porque tem uma relação direta com a qualidade da medicina que é exercida no país», disse a investigadora, em declarações à Lusa.

A responsável pelo encontro considerou que «os investigadores não podem aceitar como razoável que venhamos daqui a dois anos a ter apenas dois ou três grupos que tenham conseguido financiamento para trabalhar. Vamos ter que ter confiança para dizer que não vai ser assim. Vamos ter que arranjar formas de se poder financiar e continuar a trabalhar com a qualidade que temos, que é excecional».

Leonor David disse acreditar que «os grupos melhores terão capacidade de concorrer a financiamento europeu, mas é necessário encontrar outras formas de financiamento. É preciso encontrar na sociedade o suporte para que o país compreenda que não pode deixar de investir nesta área».


a qualidade e o entusiasmo dos investigadores portugueses desta área»uma mensagem de confiança no futuro, apesar das circunstâncias dramáticas que vivemos»

De acordo com Leonor David, «o último concurso realizou-se em 2012 e foi um financiamento de seis projetos com um milhão de euros. Em 2013, tivemos um financiamento de 140 mil euros, para três projetos pequeninos. Neste momento, não sabemos quando é que vai haver concursos, quanto dinheiro é que vai haver, não sabemos nada. A nossa capacidade de programar o futuro é extremamente reduzida e estamos muito preocupados».

De qualquer maneira, a participação dos investigadores portugueses neste encontro «está a ser maciça, a qualidade dos trabalhos é enorme e eu acredito que vamos chegar ao fim deste congresso com a força suficiente para contra tudo e contra todos continuarmos a fazer uma investigação de qualidade», referiu.