A Secretaria de Estado da Cultura está a negociar a compra de 46 obras de artistas portugueses, avaliadas em cerca de um milhão de euros, que estavam na posse do ex-Banco Português de Negócios (ex-BPN), nacionalizado em 2008.

Fonte ligada ao processo, contactada pela agência Lusa, indicou que as negociações ainda estão em curso, mas as obras estão escolhidas e são de artistas consagrados como Paula Rego, Maria Helena Vieira da Silva, Amadeo de Souza-Cardoso e Mário Cesariny.

"Les Berges", uma pintura de Maria Helena Vieira da Silva, "Mongol", pintado por Amadeu de Souza-Cardoso, e três obras em fotografia de Helena Almeida são as peças de valor mais elevado, dentro da lista a que a Lusa teve acesso.

Com as negociações ainda a decorrer entre a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) e a Parups, sociedade de capitais públicos que detém estas 46 obras - em pintura, fotografia e vídeo -, o preço de cada uma ainda não está fechado, mas o total deverá rondar um pouco mais de um milhão de euros, segundo a mesma fonte.

A serem adquiridas, o destino da maioria das obras deverá ser o Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado, em Lisboa, que foi alvo de obras para alargamento do espaço expositivo - obras com data de inauguração prevista para 15 de julho.

A Parups e a Parvalorem são as sociedades de capitais públicos criadas em 2010 para gerir os ativos e recuperar os créditos do ex-BPN, cujo património continha a coleção de 85 obras de Joan Miró (1893 -1983), e mais 247 obras de arte de artistas portugueses e estrangeiros.

Das 247, 72 obras de arte, avaliadas em cerca de um milhão de euros, estão na posse da Parvalorem, e 175, que rondam globalmente os 2,6 milhões de euros, estão na posse da Parups. É a este último grupo que pertencem as 46 obras em causa.

O conjunto foi escolhido pela tutela da cultura e reúne nomes de várias gerações de artistas portugueses, alguns representados com duas ou mais obras.

Na lista estão obras de João Pedro Vale, Pedro Calapez, Carlos Calvet, Vasco Araújo, Joaquim Rodrigo, Ana Vidigal, Eduardo Nery, João Penalva, João Vieira, Rui Chafes, Eduardo Batarda, Xana, António Sena, José Pedro Croft, Nikias Skapinakis, João Penalva, Pedro Casqueiro, Dacosta, Jorge Martins, Carlos Calvet e Pedro Gomes.

Também estão representados nesta lista de 46 obras os artistas António Palolo, Fernando Calhau, João Louro, Nadir Afonso, José Loureiro, António Charrua e João Tabarra.

Estas peças constam dos Relatórios e Contas das duas sociedades, que detêm igualmente a coleção de 85 obras de Joan Miró (1893 -1983), avaliadas entre 35 e 53 milhões de euros, para as quais chegaram a estar marcados dois leilões pela Christie’s, em Londres, no ano passado, que acabaram por ser cancelados devido a processos jurídicos ainda em curso.

No início de junho, o presidente das duas empresas, Francisco Nogueira Leite, tinha anunciado que, na sequência da inventariação, as obras iriam ser vendidas em leilão, em Portugal, mas avançaria, numa primeira instância, o contacto com o Estado para indagar do seu interesse em as adquirir.

Contactada pela agência Lusa sobre a aquisição, fonte do gabinete da Secretaria de Estado da Cultura remeteu para as declarações recentes do titular da pasta, Jorge Barreto Xavier, no parlamento, onde confirmou, perante os deputados, que "há negociações em curso" para adquirir "obras de artistas portugueses".

As obras herdadas do ex-BPN têm várias origens: foram compradas pelo próprio banco ou foram recebidas como dações, em forma de pagamentos ao banco.