Por: Redacção / SM | 14- 7- 2010 17: 30
O Governo português vai votar contra a introdução de um arroz transgénico para consumo humano na União Europeia, revelou
à Lusa o ministro da Agricultura, António Serrano.
A União Europeia (UE) está a analisar um pedido da empresa alemã
Bayer para que seja permitida a comercialização no espaço europeu do arroz transgénico LL62.
«Portugal irá votar
contra, ao nível técnico e ao nível político, a entrada desse OGM [Organismo Geneticamente Modificado] em Portugal», disse
à Lusa António Serrano.
Segundo o ministro, «trata-se de um arroz que em muitas análises mostrou algumas fragilidades».
«É
um produto de entrada directa no consumo humano, com muitas reservas científicas, na nossa opinião, para além de concorrer
directamente com variedades portuguesas que queremos proteger, nomeadamente o arroz carolino», salientou.
Na comissão
parlamentar da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, a Plataforma Transgénicos Fora (PTF) alertou os deputados da para
os possíveis problemas causados pela introdução deste arroz transgénico.
Segundo Margarida Silva, da PTF, este arroz
transgénico «tem sido posto em causa em termos científicos» e não tem merecido o apoio de outros países do espaço europeu,
alguns dos quais já anunciaram a intenção de votar contra.
Margarida Silva afirmou ainda que a Plataforma contactou
grande produtores de diversas marcas comercializadas em Portugal, que se manifestaram contra o uso de transgénicos no país,
assim como o fizeram algumas grandes superfícies comerciais, que garantiram não usar transgénicos nos seus produtos de marca
branca.
«Atualmente não há país nenhum no mundo com arroz transgénico para consumo humano em circulação, mas, a partir
do momento em que a UE o aprovar, há países como o Vietname e a Coreia que estão à espera de poder produzir este arroz em
grande quantidade», disse Margarida Silva.
Além das reservas científicas, Margarida Silva relembrou que é fácil a contaminação
da produção de arroz não transgénico por este arroz geneticamente modificado, o que «representará custos regulares acrescidos
para quem quiser manter um sistema de arroz não transgénico».
Portugal é o país da UE com maior produção e maior
consumo de arroz. Até agora, em Portugal apenas são permitidos alimentos transgénicos englobados na alimentação animal.
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