O arquiteto, e também pintor e escultor, Pancho Guedes, de 90 anos, com vasta obra edificada em Moçambique, morreu hoje de madrugada na África do Sul, disse à Lusa o catedrático da Universidade de Coimbra Jorge Figueira.

O arquiteto não deu pormenores, referindo que Pancho Guedes terá falecido numa fazenda de uma das suas filhas.

Pancho Guedes deixou obra variada na capital de Moçambique, e também em Angola e Portugal, entre outros países.

Registado Amâncio d’Alpoim Miranda Guedes, mas conhecido como Pancho Guedes, nasceu em Lisboa em maio de 1925, e cedo seguiu com a família para S. Tomé e Príncipe, Moçambique e também África do Sul.

Em Maputo são de sua autoria, entre outros, a padaria Saipal, os apartamentos Prometheus, a igreja de São Cipriano do Chamanculo, o Convento de São José de Llanguene, e escola de Enfermagem. Construiu fora da capital como o Hotel e Escola de Agricultura, em Esteve, na zona de Boane, ou o Colégio de Nossa Senhora da Conceicão, em Inhabane.

Em Angola é de sua autoria o Banco Totta Standard, em Tombua, e no Reino da Suazilândia é autor Escola de Waterford.

Em Portugal assinou o projeto de arquitetura do Casal dos Olhos, em Eugaria, no concelho de Sintra.

Pancho Guedes fundou o departamento de arquitetura na Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo, na África do Sul, e foi professor na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa e na Universidade Lusófona, também na capital portuguesa.

À Lusa, o diretor da Trienal de Arquitetura de Lisboa, José Mateus, referindo-se a Pancho Gueedes declarou apaneas. "um arquiteto incrível".