O presidente da comissão de Defesa Nacional disse esta terça-feira ter ficado esclarecido com as justificações dadas "com total transparência" pelo chefe do Estado-Maior do Exército, numa audição sobre o furto de material militar em Tancos.

Houve uma total transparência nas explicações que foram dadas e queria registar isso com enorme agrado e como um sinal de comprometimento mútuo quer do Exército quer da Assembleia da Republica, como um trabalho em conjunto", disse Marco António Costa.

O general Rovisco Duarte foi ouvido esta terça-feira, à porta fechada, durante três horas e meia na comissão parlamentar de Defesa Nacional, a requerimento do CDS-PP, que pretendia esclarecimentos sobre a recuperação do material militar roubado na base de Tancos, sobre a desativação daquela base militar e sobre as medidas de segurança adotadas nas unidades do Exército.

Marco António Costa disse que o general foi questionado sobre os motivos da classificação como "confidencial" de um conjunto de documentos enviado pelo ministério da Defesa, relativos às "averiguações que o próprio Exército realizou no âmbito do processo" das armas de Tancos.

Tínhamos solicitado essa informação, foi-nos enviada. As justificações parecem-nos adequadas. É a avaliação que eu faço", disse.

Marco António Costa considerou que o que fica por esclarecer sobre o caso de Tancos "são matérias do foro criminal e de natureza organizativa", sublinhando que a audição serviu para que "o parlamento ficasse dotado de mais informação para trabalho futuro no que diz respeito a eventuais alterações que possam vir a ser propostas no âmbito das iniciáticas dos grupos parlamentares.

Os documentos enviados pelo ministério da Defesa poderão ser consultados pelo deputados efetivos daquela comissão que o requeiram, com algumas regras, não podendo levar telemóvel ou copiar os documentos.

Segundo fontes presentes na audição, ouvidas pela Lusa, Rovisco Duarte foi questionado sobre a discrepância entre o material militar furtado em Tancos e aquele que foi recuperado pela Polícia Judiciária Militar na Chamusca, que encontrou uma caixa de petardos que não constava na relação inicial.

Rovisco Duarte, acrescentaram as fontes, explicou que se trata de uma caixa com 100 explosivos pequenos, de 200 gramas, e clarificou as suas declarações à imprensa no passado dia 31 de outubro, em que considerou a situação "compreensível".

Esta terça-feira, o general frisou que considerou que a falha de inventário era compreensível, mas inaceitável e que o Exército está a melhorar o sistema de inventariação.

Rovisco Duarte reiterou a explicação já avançada no passado dia 31 de outubro, em conferência de imprensa, dizendo que se tratou de material que é retirado do paiol e não é todo usado no mesmo dia, regressando sem registo de entrada.

Segundo as mesmas fontes, o CEME deu ainda explicações pormenorizadas sobre os motivos para a desativação dos paióis de Tancos e sobre a transferência do material para Santa Margarida e para os paióis da Força Aérea e da Marinha, bem como sobre os planos do Exército para reforçar a segurança das unidades e para melhorar sistemas de inventariação.