O Ministério Público pediu esta segunda-feira a condenação de seis dos sete arguidos acusados de associação criminosa, 60 assaltos com armas de fogo, tentativa de homicídio e sequestro, enquanto a defesa pediu a absolvição de todos os elementos.

Na sessão que decorreu esta segunda-feira no Tribunal de Cascais, na qual foram proferidas as alegações finais, o procurador do Ministério Público considerou que os factos ficaram provados, mas não os seus autores.

«Prefiro que haja bandidos à solta, do que inocentes na prisão», afirmou o procurador, que acabou por pedir a absolvição de um dos elementos do grupo, a quem estava imputado o crime de associação criminosa.

Aos restantes elementos, acrescentou, «os autos demonstram de forma clara» que havia uma hierarquia no grupo, que havia distribuição de tarefas, que os elementos se juntavam para cometer os crimes e que havia preparação prévia para os assaltos.

«Tudo foi pensado e muito bem pensado. Associaram-se para cometer crimes e cometeram-nos», disse.

Também a acusação pediu a condenação dos elementos e realçou a violência utilizada sem que nenhum dos ofendidos, mais de uma centena, tenha oferecido resistência.

Além disso, as advogadas das vítimas lamentaram a ausência de proteção de testemunhas.

Já a defesa, nas suas alegações finais, pediu a absolvição de todos os arguidos.

Os advogados dos dois alegados cabecilhas defenderam que as escutas telefónicas entre os arguidos, usadas como prova, devem ser anuladas, por não terem sido faladas em português.

O advogado de um deles considerou ainda que a investigação foi feita por base num «efeito túnel».

«Puseram na cabeça que era o meu cliente culpado e o chefe do grupo e a partir daí tiveram de usar tudo como certeza disso», explicou.

Ao longo do processo, os arguidos nunca quiseram prestar declarações e hoje, chamados a nova oportunidade, voltaram a optar pelo silêncio.

O grupo começou a ser julgado em fevereiro, decorrendo entretanto 40 sessões de audiência, algumas delas sob tensão e que exigiram rigorosas medidas de segurança.

O processo considerava oito suspeitos, mas o filho de um dos dois alegados cabecilhas da rede foi separado para ser objeto de ação tutelar de menores.

Dos sete arguidos, seis ficaram em prisão preventiva.